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BAIXAR SAMBA ENREDO PORTELA 2009

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postado por Mamie

SAMBA ENREDO PORTELA 2009

| Música

    LP "Sambas de Enredo Grupo I " (clique na capa do disco para baixar): . 9 - Portela (Wanderley Monteiro) 11 - Portela (Flávio Bororó). Nesta seção você encontra o áudio de sambas-enredo das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Para baixar um samba, clique com o botão direito do mouse sobre o título Após o término do download, descompacte o arquivo utilizando o Winzip ou o WinRAR. Morfeu no Carnaval, a utopia brasileira - Portela Samba-Enredo - Unidos da Tijuca - Samba-Enredo (Letra e música para ouvir) - / Meu filho / Como é lindo o amanhecer / Reflete o Sol, a criação / Um.

    Nome: samba enredo portela 2009
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    Ele nasceu em nas adjacências do centro comercial do Rio de Janeiro. Unidos do Santa Marta — ,4 pontos Nelas podiam ser compradas as comidas de sambistas e bebidas de diversas ordens, como batidas, cervejas e caipirinhas. Do paraíso de Deus ao paraíso da loucura, cada um sabe o que procura. Contudo, apenas cerca de vinte pessoas atuam efetivamente nas ações que empreendem, sendo Jorge Anselmo e Marcelo considerados seus principais líderes. Certos integrantes da Portelaweb ficaram exasperados, afirmando que a Portela tinha sido desrespeitada dentro de sua própria casa. O Ari do Baralho relacionou todas citando, ano, parceiros e interpretes. O vazio da ordem: relações políticas e organizacionais entre escolas de samba e jogo do bicho. Trata-se de um fórum de debate somente acessado pelos integrantes do equipe, onde eles podem tomar as decisões pertinentes ao futuro do site, sem haver necessidade de se deslocarem de suas residências ou de seus locais de trabalho. Ricoeur , p. Robson, Jamiro Faria e Gugu das Cadongas. Carnaval brasileiro: o vivido e o mito. Tal fato funcionaria como sinal diacrítico ostentador da superioridade da Portela no carnaval carioca.

    Nesta seção você encontra o áudio de sambas-enredo das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Para baixar um samba, clique com o botão direito do mouse sobre o título Após o término do download, descompacte o arquivo utilizando o Winzip ou o WinRAR. Morfeu no Carnaval, a utopia brasileira - Portela Samba-Enredo - Unidos da Tijuca - Samba-Enredo (Letra e música para ouvir) - / Meu filho / Como é lindo o amanhecer / Reflete o Sol, a criação / Um. Veja as letras de G.R.E.S. Portela (RJ) e ouça "Samba-Enredo - Na Madureira Samba-Enredo - Na Madureira Moderníssima, Hei Sempre de Ouvir Samba Enredo - Gosto Que Me Enrosco · Samba-Enredo - E Por . Aplicativos Disponível no Google Play Baixar na App Store Baixar na Microsoft. Essa é uma lista da discografia das escolas de samba do Grupo especial do Carnaval do Rio Faixa, Escola, Enredo, Autor, Intérprete, Ref. 1, Salgueiro, " Dona 1, Portela, "Lendas e Mistérios da Amazônia", Catoni, Jabolô e Waltenir, Silvinho do Pandeiro. 2, Imperatriz « - Unidos da Tijuca». Consultado em The Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela is one of the most traditional samba schools the samba of Paulo da Portela, "Teste ao Samba" (Test for the samba), is considered the first samba-enredo. . , 3rd place, Grupo Especial, E por falar em amor. .. Create a book · Download as PDF · Printable version.

    Hoje a Coluna de Quinta propõe uma viagem pela história do samba-enredo. Por isso, assumiu um formato diferente: é um pequeno guia, uma lista com sambas inesquecíveis.

    Aceitando um desafio muitas vezes feito por amigos, este colunista selecionou composições que considera marcantes. A tarefa deve se repetir futuramente em outros centros. Começamos pela matriz: o Grupo Especial do Rio de Janeiro.

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    A partir do primeiro LP oficial das escolas de samba, lançado em , foram selecionados dois sambas de cada ano. Para ouvir os sambas, basta clicar em cada título. Sentiu falta de algum sambaço? A regra criada para a escolha foi desafiadora. É muito difícil selecionar apenas 2 sambas por ano. Inevitavelmente, grandes obras ficaram de fora.

    Em , quase todos os sambas poderiam ser citados, tamanha a qualidade da safra. O conflito se repetiu na maioria dos anos. A lista tem, na verdade, sambas. Depois da enorme dificuldade em selecionar apenas 2 obras de cada ano, ficou impossível condensar a era pré-LP em menos de 13 sambas. A Imperatriz emplacou 3 sequências: , , Unidos de Vila Isabel — Sonho de um sonho.

    Dercy, o retrato de um povo. Portela — Gosto que me enrosco. Paulo da Portela alega que os dois companheiros eram seus amigos. Paulo de Portela e os amigos se retiram do desfile da escola. Por sua vez, segundo suas biógrafas, Paulo da Portela teria sido obrigado a optar entre dois mundos: um relacionado com seus companheiros de Oswaldo Cruz e outro atrelado à sua vida profissional.

    Além disso, o compositor se. Após o cisma, Manuel Bam-bam-bam, Rufino e Caetano continuaram na Portela, conduzindo-a a vencer ininterruptamente sete campeonatos — —, algo jamais igualado por outra escola de samba.

    Tal feito levou Cabral a classificar como anos portelenses o decênio de Após a morte de Paulo da Portela, Natal passa a se dedicar integralmente à escola. A propósito, sua biografia e. Sobre o mecenato do jogo do bicho no âmbito das escolas de sambas cariocas, ver Chinelli e Silva , Pereira de Queiroz e Cavalcanti Após uma queda, as rodas de um trem feriram seu braço direito gravemente.

    Tô sempre querendo mais. Ganhei carnaval de toda maneira. No legal e no roubo. O que nunca fiz foi sair por aí me lamentando. Aguentava firme, na primeira oportunidade roubava também.

    Jório, , p. Natal da Portela foi também conhecido pelo gênio explosivo e pelos crimes que cometeu, sendo um assassinato. Além disso, o sentido de moralidade ganhou contornos ambivalentes: a violência; a honra à palavra dada e relações de poder baseadas na confiança em poucas pessoas — estimadas no contexto do jogo do bicho72 passaram a regular o sistema social da escola.

    Este período portelense foi plenamente marcado pela patronagem73 desse. Nesse transcurso, a Portela foi a primeira das principais escolas de samba cariocas a ter um homem forte do jogo do bicho determinando suas diretrizes no carnaval. Terceiro, até , a Portela colecionava dezenove campeonatos. Essa quantidade de vitórias era superior à soma dos títulos das outras agremiações juntas no mesmo período.

    Ele é português e foi presidente do Esporte Clube Madureira nos anos de Este contribuía financeiramente com o referido clube de futebol, enquanto aquele colaboraria com a Portela. Natal da Portela foi o protótipo de patrono que surgiu desde dentro da escola de samba, como um sujeito que dedicava amor e interesse à Portela. Os dados de sua trajetória de vida foram retirados de sua entrevista a Cabral Desde jovem, Candeia Filho se destacou como compositor, vencendo o concurso de sambas-enredo na Portela, em , com apenas dezessete anos de idade.

    Ele foi policial de carreira até receber um tiro que atingiu a coluna, deixando-o definitivamente paraplégico Após ficar preso em uma cadeira de rodas, Candeia decidiu investir em sua carreira de compositor, além de criar Entre elas, citaria: o refinamento e aprimoramento das fantasias, bem como o aumento na visibilidade dos carros alegóricos.

    Todos se inseriam no contexto do carnaval através do Salgueiro e tornar-se-iam os mais famosos carnavalescos das escolas de samba cariocas nas décadas seguintes. Os textos de Buscacio e Rodrigues Junior apontam para o início dos anos de O primeiro seria representado por Candeia e alguns compositores que lhe apoiavam. O segundo seria defendido pela Diretoria da escola e pelo Departamento Cultural, criado em A partir do texto de Buscacio , narro os eventos marcantes dessa crise.

    O Departamento Cultural, récem-criado, toma para si a ideia do enredo desenvolvida por Candeia para o carnaval de Os tradicionalistas tornam-se dissidentes e fundam a escola de samba Quilombo. A diretoria só interviria nos planejamentos do carnaval no intuito de controlar a quantidade de desfilantes.

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    Gradualmente, a cantora sentiu-se atraída pelo universo de compositores portelenses, tornando-se, em pouco tempo, madrinha da Velha Guarda Show e a principal divulgadora dos sambas da ala de compositores da Portela.

    Determinadas atitudes impostas pela presidência da Portela desagradaram os ditos tradicionalistas. Este ato idignou o compositor que foi citado apenas como colaborador. Na tentativa de recuperar o prestígio ameaçado e de influir nas decisões da diretoria, os tradicionalista elaboram a Carta à Portela.

    Esta teve vida curta, funcionou até , desativada após a morte de Candeia. As escolas de samba nunca estiveram incólumes à presença de novos elementos e integrantes. Cada presidente de ala deixava de criar estratégias isoladas para investir financeiramente na feitura da fantasia de sua responsabilidade. Eles se reuniriam e. Resolvi acabar com essa remandiola de ganhar dinheiro às custas da escola.

    Quem quiser, vai ter que ser assim. Tem de obedecer o regulamento. Pode ir pro Império, pra Mangueira. Tem que acabar essa ganância. Todo mundo quer ganhar. Qualquer passista, quando samba pra representar a escola, pede logo uma nota Expulso todos O que quero aqui na Portela é que todos compreendam suas obrigações. Expulso o primeiro que estiver atrapalhando o trabalho da diretoria. Vale registrar que Natal da Portela morreu em A escola tanto tinha seu nome divulgado pela cantora, quanto lotava sua quadra nos eventos em que ela estava presente.

    Um texto da Portelaweb esclarece o significado da cantora para a escola: Clara nos deixou em Nesse ano, é. A Portela ganhara no domingo, conquistando seu vigésimo primeiro título com o enredo Contos de Areia, homenageando três portelenses: Paulo da Portela, Natal da Portela e Clara Nunes.

    Segundo Osnir, Nézio Nascimento foi o filho de Natal que mais se interessou em dar continuidade aos trabalhos do pai dentro da Portela. Ele, desde cedo, foi presidente de ala e diretor de harmonia da escola. Seguindo as rememorações de Osnir, o referido drama portelense teve a seguinte sequência de ações: Nézio Nascimento assume a presidência da Portela. Este supercampeonato, cuja fórmula de disputa envolvia apenas as seis primeiras classificadas dos dois dias de desfile, aconteceu unicamente em Esta narrativa, criada a partir de relatos êmicos, permite interpretar os motivos que resultaram no afastamento de Nézio Nascimento da escola.

    Assim, seu comportamento, classificado de desonesto, ia de encontro aos preceitos de um sistema social dos bicheiros que valorizava o código de confiança e de relações pessoais. Muitos portelenses deixaram a escola, eu fiquei frequentando as duas. Percebi que a Portela ficou esvaziada depois desse episódio. Quase toda a linhagem de Natal saiu da Portela, inclusive a Vilma.

    Este ponto de vista nativo permite apreender que o drama desencadeado por uma quebra de código de confiança, passou por um cisma, desemborcando em uma.

    Fonte: Site Portelaweb. Com o término das ações judiciais, o confronto simbólico entre as duas aconteceu na Marquês de Sapucaí. Respondendo a estas provocações, a Portela cantava no seu samba: Briga, eu, eu quero briga, hoje eu venho reclamar: o que que tem? Esta praça ainda é minha, eu também estou fominha, jacaré quer me abraçar Em , a Portela cantava: o meu canto é mais bonito, salve Oswaldo Cruz e Madureira, me chamam celeiros de bambas, a Majestade do Samba, da Velha Guarda formosa e faceira.

    Para mais detalhes, ver Cavalcanti Segundo fui informado pelos interlocutores, Nilo Figueiredo é comandante militar reformado da Marinha. A propósito, percebi haver nas alocuções dos interlocutores dois momentos estanques: um antes e outro depois da chegada de Nilo Figueiredo à presidência da Portela. Após prolongada convivência com os interlocutores, compreendi o porquê desse aparente esquecimento.

    Alguns confessaram-me ainda estar traumatizados, pois A meu ver, este drama teve ainda uma consequencia para a memória do passado da Portela.

    O mal-estar estava formado entre os portelenses. Acompanhei duas comemorações dessa continuidade de fé religiosa. Entre os dois altares resplandecia a bandeira da Portela. Durante o ritual, o padre benzeu cada um dos segmentos administrativos da escola, rogando a Deus que abençoasse a Portela. Após o evento religioso, os componentes da Galeria da Velha Guarda se despediram e a quadra foi gradualmente preenchida pela parcela mais jovens de torcedores que participariam apenas do ensaio de quadra Em suas rememorações Para analisar a diferença de interesses pelas atividades sociais entre as distintas gerações de portelenses, sugiro examinar os estudos de Lins de Barros sobre família e gerações.

    Em , o presidente Nilo Figueiredo decidiu edificar um monumento em homenagem ao compositor na Fato que teria acontecido na década de Além disso, o monumento seria uma parte orgânica do passado, na medida em. Este aconteceu em um dia de feijoada com a quadra lotada.

    Após discursos e o canto coral de alguns sambas de Paulo da Portela, foi retirado o pano que cobria o monumento, desencadeando aplausos, choros e espantos entre os presentes. Foto do site O Dia na Folia.

    Trechos de um texto do site Portelaweb expressam a reverência a Paulo da Portela como um professor:. Portela que une o passado e o presente. Na magia do amor que desperta, estende um facho de luz para a eternidade, unindo nossos sonhos ao de Paulo, tomando viva sua presença ao nosso lado.

    Outra forma encontrada pelos portelenses para atualizarem continuamente seu passado é batizar logradouros com os escolhidos para serem lembrados pelo grupo. Em , acompanhei um processo de mudança de nomes de rua no bairro de Oswaldo Cruz feito para preservar a memória de um dos compositores da Portela. No ano de , falecera Manacea, ex-líder da Velha da Guarda da escola.

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    Em novembro. O intérprete Gilsinho, ao som da bateria, cantou alguns sambas antigos. Foi dolorosa, difícil, mas ambos conseguiram sobreviver. A Portela, em cada vitória, lembrava de Paulo. Estes, contudo, poderiam ainda se redimir, tornando-se portelenses.

    Muitos portelenses se orgulham em falar que a Portela seria uma família reunida. Visando detalhar de forma mais concreta os diferentes usos do passado da Portela, no próximo capítulo, abordo particularmente quatro desses usos: a feijoada da família portelense; o Pagode do Trem realizado no Dia Nacional do Samba e duas rodas de samba promovidas pelo compositor Marquinhos de Oswaldo Cruz. Na entressafra carnavalesca — março a julho — a Portela encontrava-se esvaziada com raros acontecimentos sociais em sua quadra.

    É ela que promove a feijoada, realiza os shows nacionais e internacionais representando a Portela. Convém mencionar ainda que Medeiros reconstrói a biografia e as receitas de quatro mulheres da Portela: Surica, Neném, Eunice e Doca. Nunca ninguém tomava uma iniciativa. Aí, no sepultamento do Argemiro, vai fazer quatro anos Decidimos: vamos fazer um movimento para agitar a Portela?

    Vamos fazer uma feijoada da Velha Guarda para resgatar as glórias da família portelense? Ficamos combinando. Começamos no bar da Tia Vicentina com duzentas ou trezentas pessoas Tanto que a feijoada leva o nome dela Tia Vicentina fazia a feijoada.

    A Portela nos deu a oportunidade e nós continuamos Algumas categorias e expressões trazidas à baila pelas rememorações de Tia Surica merecem destaque. Na ótica nativa, o despertar da Portela, um gigante adormecido, seria possível através de um evento - uma feijoada - que resgataria as glórias portelenses. Conforme aponta Gonçalves , p.

    O primeiro tomaria a fome humana como um dado natural, entendendo o alimento em seu aspecto meramente nutricional.

    No mesmo artigo, Gonçalves , p. Abordando os significados sociais atribuídos à feijoada no Brasil e nos Estados Unidos, Fry , p. No caso brasileiro, a feijoada era, no século XIX, comida de negros, sendo gradualmente incorporada como símbolo de nacionalidade. No entanto, o ponto de partida é a ideia maussiana de fenômeno social total, haja vista essa feijoada sobrepor, ao mesmo tempo, elementos memoriais, míticos, econômicos, institucionais, sociológicos, corporais, entre outros.

    Esse sistema de trocas envolvia, ao mesmo tempo, diversas dimensões da vida humana, como a econômica, a sociológica, a agonística, a psiscológica, entre outros. Voltarei a este ponto depois. Conforme relembra Peirano , p. A proposta durkheimiana era que os cultos seriam eficazes por se tratarem da sociedade em ato e por serem mecanismos simbólicos pelos quais as sociedades se recriariam e se renovariam periodicamente.

    O exame da feijoada como um rito partiu das próprias significações que os membros da Portelaweb lhe atribuem Como lembram Vargens e Monte , p. Ademais, o fato de estes quintais, por vezes, serem cercados por pés de frutas, como mangueiras e sapotizeiros, traz em seu bojo uma simbologia da fartura de comidas que cerca os encontros sociais e as rodas de samba promovidas pela Velha Guarda Show da Portela.

    Para ele, em uma roda de samba, estaria em jogo o prazer de saborear as iguarias feitas pelas mulheres e pelos mestres da arte de cantar e de cozinhar. Seria esse tipo de roda de samba, conforme me relatou Tia Surica, que os membros da Velha Guarda Show buscavam conscientemente dar continuidade -. No âmbito científico-social, o estudo de Hobsbawm sobre as tradições inventadas é significativamente disseminado. Retomando o texto de Buscacio , relembro que, na década de , segmentos da ala de compositores da Portela se diziam defensores do samba tradicional e autêntico.

    Em termos sociológicos, como assinala Rodrigues Junior , p. Na sexta Vicentina do Nascimento nasceu em e faleceu em No entanto, se compararmos à atual feijoada com as antigas rodas de samba dos quintais de Oswaldo. O lucro do evento é obtido com a cobrança de ingressos e com a venda de pratos de feijoada e de bebidas. Essa feijoada acontece regularmente desde junho de Na atualidade, no primeiro semestre, duas a quatro mil pessoas participam da feijoada, cifra gradativamente aumentada com a proximidade do carnaval.

    No dia de feijoada, as filas começam a se formar por volta de meio-dia na entrada da quadra da Portela. Os sócios contribuintes da escola e pessoas da terceira idade têm suas entradas liberadas. Tais ocasiões de sociabilidade me possibilitaram conhecer portelenses moradores de Petrópolis, Ipanema, Madureira, Marechal Hermes, entre outros lugares.

    Entre 13h30min e 14h, acontece a abertura dos portões da bilheteria pelos seguranças, que fazem também vistorias nas pessoas para evitar a entrada de alguém armado na escola. No lado esquerdo da parte coberta, encontra-se a tribuna dos componentes da bateria, o palco e o espaço onde o casal de mestre-sala e porta-bandeira pode apresentar-se durante os ensaios voltados para o carnaval.

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    Os anfitriões da feijoada somente começam a cantar por volta das dezesseis horas. Na primeira, os componentes do grupo musical apresentam suas canções mais conhecidas, bem como aquelas de falecidos compositores. A segunda parte da feijoada é dedicada aos cantores convidados, que podem receber prêmios, placas de condecorações ou elogios sobre suas trajetórias musicais.

    Em outros lugares, ouvi dizer que sai briga com tiros. É por isso que as pessoas gostam de vir na Portela. Você vê, ali tem famílias inteiras Eu acho que a escola prima por isso Um turista francês havia perdido sua bolsa de documentos nas dependências da quadra.

    Esse sentido êmico de família portelense foi compartilhado por diversos interlocutores na pesquisa de campo. Seus principais objetivos é, como integrante da família portelense, desfrutar o ambiente de sociabilidade possibilitado por essa roda de samba. Isso acontece quando ela é vinculada ao contexto do carnaval, da disputa festiva existente nos desfiles.

    Eles devem frequentar os ensaios com assiduidade. Porém, se exige muita coisa Ele Nas feijoadas, apenas os segmentos da escola e os convidados têm suas mesas reservadas e previamente identificadas. No entanto, convém dizer que os membros da equipe conseguem identificar alguns traços distintivos da feijoada da família portelense das demais realizadas por outras agremiações.

    Segundo, a feijoada na Portela seria a mais autêntica entre todas.

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    Terceiro, a referida feijoada criaria um sentimento de pertencimento à Portela. Conversando informalmente com Rogério Rodrigues sobre este assunto, ele me revelou uma de suas crenças: os grandes portelenses, quando morrem, passam a habitar a morada dos deuses. Na pesquisa de campo, ouvi diversas vezes que o próprio Deus cultuado pelos católicos seria portelense, posto ter criado o céu com as cores da escola: azul e branco.

    Ele quase sempre presentearia o show da Velha da Guarda com belos dias de sol. No procedimento regular de ida ao campo, mantive-me informado, por exemplo, sobre o processo de adoecimento e de convalescença de Monarco e Casquinha, membros da Velha Guarda Show.

    Igualmente, acompanhei as fases de adoecimento e mortes de Tio Jair do Cavaquinho, Casemiro, e Tia Doca, também integrantes deste grupo musical. Estes, sendo grandes portelenses, como vaticinava a locutora oficial da feijoada, teriam ido morar no céu, de onde continuariam a velar e a orientar os caminhos da Portela. Nesse aspecto, vale novamente recordar Mauss , para quem os homens se servem dos seus corpos de modo os mais distintos possíveis, seguindo as técnicas corporais que cada sociedade desenvolveu para andar, nadar, parir, marchar, saltar, entre outras.

    Por vezes, alguns aficionados passam a vestir no cotidiano quase que exclusivamente roupas com as cores da Portela. Às vezes, uso outras cores diferentes, mas sempre uso azul e branco. Eu tenho saudade. Desperta, oh grande mocidade! Portela, querida, és tudo na vida para mim. Por outro lado, atualizar essa memória significa celebrar um passado percebido como comum a todos os portelenses.

    Estes, além de comemorarem sua memória coletiva, encontraram também na feijoada um meio simbólico para unir o passado ao presente, o humano ao divino, os vivos aos mortos, e, sobretudo, o paladar à musicalidade. Aqui, estou parafraseando Bakhtin ao sinalizar que o ato de comer significa colocar dentro de si o mundo social. Um exemplo do esquecimento coletivo no qual estariam imersos os sambistas e o samba naquele contexto urbano, segundo Barata , p. Essas pessoas teriam sentido necessidade de divulgar juntos aos moradores a história do samba no bairro.

    Ele nasceu no Rio de Janeiro em e iniciou sua carreira de compositor de samba na década de , quando adotou o nome artístico de Marquinhos de Oswaldo Cruz. Segundo informações fornecidas pelos membros do Portelaweb, Marquinhos de Oswaldo Cruz, a AMOC e outras entidades locais, em , conseguiram um carro de som com o qual saíram pelas ruas do bairro gritando: Acorda Oswaldo Cruz. Valores atribuídos a residência, parentesco, linhagem, etnia, sexo, idade, diferenciariam os Nuer entre si e definiriam as distâncias estruturais existentes entre eles.

    Seriam essas distâncias estruturais que determinariam as divisões de espaço para esse povo africano. Assim, uma linhagem Nuer pode sentir-se próxima de outra linhagem, ainda que estejam separadas por centenas de quilômetros. Buscando identificar e interpretar a regularidade desses arranjos sociais, Magnani elaborou uma proposta de etnografia urbana empregando algumas categorias analíticas, como pedaço, mancha, trajeto, pórtica e circuito. O pedaço, além de lugar de encontro de familiares e vizinhos, pode ser também o ponto de encontro para os colegas e os chegados.

    A mancha trataria de lugares que funcionam como ponto de referência para uma diversidade maior de pessoas, podendo se constituir em torno de determinados serviços, como hospitais, cinemas, ou restaurantes. A mancha, diferentemente dos pedaços para onde as pessoas se dirigem para encontrar os iguais, cederia espaços para os encontros fortuitos e inesperados. Muitos trajetos aconteceriam dentro de uma ou mais. Os pórticos demarcariam os vazios fronteiriços, por exemplo, entre pedaços ou entre manchas.

    Trazendo esse debate do uso e dos significados atribuídos aos espaços urbanos para o âmbito especificamente carnavalesco, ressalto que ranchos carnavalescos. Este, na ótica êmica, estaria retornando a ser o que nunca deveria ter deixado de ser: o reduto do samba autêntico e da Portela Este, em termos simbólicos e territoriais, passava a fazer parte da trama urbana de atores sociais que se vinculam afetiva e socialmente à Portela.

    Convém acrescentar que, para membros da Portelaweb, o Acorda Oswaldo Cruz teria Nesse ponto, recordo o que foi tratado no capítulo anterior acerca de Paulo da Portela ter sido um mediador cultural. Segundo o texto O Trem do Samba, da Portelaweb, os homenageados daquelas quatro primeiras edições foram os compositores Manacea e Argemiro. Ver Kuschnir , para aprofundar o entendimento das relações estabelecidas entre agentes políticos e diferentes camadas sociais.

    Após ter tomado ciência desse fato, seu interesse em continuar o Trem do Samba teria sido reforçado ao estar dando prosseguimento a um empreendimento iniciado pelo fundador da Portela O PAGODE do trem, A chegada do Trem a Oswaldo Cruz foi anunciada por queima de fogos. A Supervia, por sua vez, cedeu quatro composições.

    Além disso, sambistas de outras agremiações também fizeram suas apresentações. No Dia Nacional do Samba de , os portelenses teriam inserido um novo ritual em suas comemorações: a lavagem do busto de Paulo de Portela na praça intitulada com seu nome em Oswaldo Cruz. No amanhecer daquele dia, baianas e. As edições de e tiveram estruturas organizacionais semelhantes ao ano de Em , estava ansioso, pois, pela primeira vez, havia decidido acompanhar as festividades do Dia Nacional do Samba, participando das comemorações do Pagode do Trem.

    A maioria dos passageiros estava usando a camisa de sua escola de samba favorita. Ver DaMatta e Amaral para maiores detalhes sobre a diferença do ritmo de vida cotidiana e o ritmo humano nos dias de festa. Contudo, durante o percurso, essa regra foi quebrada com cada grupo tentando cantar com mais intensidade e alegria do que o outro. O ânimo se acirrou entre os torcedores por meios de xingamentos e acusações de parte a parte. Vale comentar que esta rivalidade entre Portela e Império Serrano decorre de essas duas escolas de samba estarem localizadas em espaços urbanos próximos: apenas dois quarteirões separam as quadras das.

    Gradualmente, os ânimos foram acalmados e a viagem prosseguiu sem maiores transtornos.

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    Eram três palcos espalhados em diversos lugares do bairro. As escadas de acesso à saída ficam congestionadas de pessoas que se empurram e se acotovelam.

    No entanto, nesse dia festivo, pode-se metaforicamente afirmar que o bairro respira samba. O forte policiamento fecha algumas vias para o acesso de carros e ônibus. Portas de lojas ficam cerradas, enquanto um montante representativo dos moradores acompanha as festividades de suas próprias residências. Diversos veículos da imprensa televisiva, radiofônica e escrita cobrem jornalisticamente esse momento de festa para o mundo do samba, entrevistando, sobretudo, os sambistas mais famosos.

    Nessa oportunidade, dirigi-me, com certa dificuldade, devido à quantidade de pessoas nas ruas, à Praça Paulo da Portela onde assisti, entre quase três mil pessoas, aos shows de Marquinhos de Oswaldo Cruz e das Velhas Guardas das Escolas de Samba.

    Nesse ano, eu e outros dois membros dessa equipe nos encontramos no amanhecer do Dia Nacional do Samba para acompanharmos a lavagem do busto de Paulo da Portela.

    Muitos ali presentes bebiam cervejas e exclamavam a todo o momento o orgulho de serem portelenses. No período vespertino, seguimos com outras dezenas de sambistas para a Central da Brasil. Nessa perspectiva, é possível reiterar que o Trem do Samba e a feijoada da família portelense estabelecem ligações entre o passado e o presente da Portela.

    Segundo, ele desperta nos portelenses um sentimento de pertencimento afetivo e ancestral ao espaço urbano de Oswaldo Cruz. E mais, além de. Exatamente por ser equacionado em termos tradicionais tanto pelos sambistas, quanto pela imprensa especializada em carnaval carioca, o Pagode do Trem se tornou um produto mass media e do turismo carioca.

    A forma de funcionamento seria semelhante ao da feijoada organizada pela Velha Guarda Show: unir a musicalidade do samba com a venda de comidas e bebidas. Esta, segundo a exegese de membros da Portelaweb, abrange os alimentos comumente preferidos pelos sambistas para ser ingeridos durante ou após qualquer evento de samba, a fim de retardar o efeito das bebidas alcoólicas ou de ajudar na cura da ressaca de.

    Ela é inteiramente coberta e tem o formato de um retângulo com cerca de cem metros de cumprimento por dez de largura.

    Seu interior é pintado em azul e branco. No fundo, em sua parte superior, funciona a cozinha; no segmento inferior, os banheiros e o bar. Segundo Trotta , p. Nesse transcurso, estabeleceu-se uma disputa ideológica e comercial entre os sambistas de raiz e os pagodeiros românticos que se diferenciavam por fronteiras estéticas e geracionais O termo sambas de terreiro remete às primeiras décadas de existência das escolas de samba.

    A esfera musical brasileira, desde os seus primórios, for marcada por disputas em torno de questões estéticas e geracionais. Nesse aspecto, ver Naves Era o tempo dos sambas de terreiro.

    A gente torcia para ter noites de luar, aquela coisa poética, para podermos cantar samba nos terreiros. O universo semântico dessas canções abrange assuntos, como conquistas e desilusões amorosas, relações familiares e o enaltecimento das agremiações carnavalescas e dos bairros ou morros de origens destas.

    A memória coletiva de cada escola de samba retém os sambas de terreiro e os sambas de quadra mais poéticos e mais gostosos de serem cantados ERICEIRA, , pp. Nessa perspectiva, Marquinhos de Oswaldo Cruz privilegiava quase que obrigatoriamente os partidos altos e os sambas de raiz; logo, era evitado o repertório musical de sambasenredo e dos sambas que estavam no circuito comercial.

    No entanto, alguns sambas amplamente divulgados pela mídia e apreciados pelos portelenses eram também executados, como Foi um Rio que passou em minha vida, de Paulinho da Viola.

    Ele circulava entre os presentes enquanto cantava e, no intervalo das canções, Partido Alto é uma modalidade de samba baseado em uma espécie de desafio entre os participantes, nomeados de partideiros. O clima dessa roda de samba era mais intimista e pessoal do que o da feijoada da família portelense.

    Neide Santana, pastora da Velha Guarda Show da Portela, era a encarregada pelo preparo das comidas de sambistas. Os pratos de comida vendidos eram colocados em uma bandeja amarrada a uma corda por onde os alimentos desciam. Em baixo, uma ajudante da cozinha recebia a bandeja e servia os pratos nas mesas. Em um viés analítico, é possível afirmar que, nesse empreendimento, Marquinhos de Oswaldo Cruz findava por usar e abusar do passado da Portela.

    Nessa ótica, os pratos. Dessa vez, agregando e ressignificando as narrativas relacionadas com Paulo da Portela e Candeia. No tocante ao primeiro compositor, o palco para as atrações musicais foi montado ao lado do busto feito em sua homenagem.

    Reiteradamente, durante a roda de samba, Marquinhos de Oswaldo Cruz parava seu show para enfatizar que o nome de Paulo da Portela jamais deveria cair no esquecimento. Ele estaria fazendo sua parte como sambista e como portelense. Quanto ao compositor Candeia, ele era homenageado quando diversos sambas de sua autoria eram cantados pelo promotor do evento.

    Cobrava-se aos frequentadores apenas o que era consumido nas barracas. Nelas podiam ser compradas as comidas de sambistas e bebidas de. Os próprios quintais de integrantes da Velha Guarda podem também ser pensados como lugares que guardariam a memória da Portela. Além de proporcionarem oportunidades de comerem e beberem juntos, essas rodas de samba ativam o sentimento de pertencimento a um passado comum, e a certeza de que a própria Portela, com seus Algumas passagens do texto Receita de Sucesso , p.

    Nas três rodas de samba com comidaria que pesquisei, cabia às mulheres mais velhas, sobretudo, o universo da cozinha. Os homens e as mulheres mais velhos na Portela ocupam o lugar honroso de guardiões da memória coletiva de escola que, mesmo sendo, em muitos aspectos, construída, merece ser reconstruída, valorizada e atualizada.

    Grosso modo, a finalidade consciente dessas composições é enaltecer a história, os símbolos, e os sambistas considerados importantes dentro de cada escola de samba ERICEIRA, Embora a lógica comercial interferisse no funcionamento das duas competições, elas distinguem-se entre si pelo montante de dinheiro posto em disputa.

    Quando eles acontecem, funcionam como uma espécie de avant-première das eliminatórias de sambas-enredo. Algumas interpretações apressadas sobre as diversas formas de hegemonia dos sambas-enredo no mundo do samba vaticinam o fim dos sambas de raiz.

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    Carvalho e Ribeiro , p. Para compreender melhor a luta dos compositores populares pela conquista dos direitos autorais de suas obras no Brasil, ver Fenerick Outrora somente os compositores vinculados afetivamente com as agremiações poderiam disputar o concurso de sambas-enredo.

    A possibilidade de ganhar volumosas somas de dinheiro e de usufruir o orgulho de ter seu samba escolhido para ser cantado por todos nos desfiles acirra a disputa entre os compositores. Tais firmas se transformaram em negócios lucrativos no mundo do samba,. Na atualidade, cabe informar que na Portela exige-se que, em todas as obras inscritas nos concursos de sambas-enredo, haja minimamente um autor pertencente originariamente à ala de compositores da escola.

    Cabe assinalar ainda que, outrora, um compositor se destacava dentro de sua escola de samba, quando compunha um samba de terreiro cantado por todos. Nessas oportunidades, entram em cena as usuais relações de pessoalidade que vigoram no mundo do samba DaMatta, Eu sabia que a vida iria ser melhor com os seus sambas. Tais representações advogam uma lógica de funcionamento diferente para os sambas de raiz daquela mercantil na qual estariam inseridos os sambas-enredo.

    A cantora Marisa Monte estabeleceu contatos com os compositores da Portela através de seu pai, Carlos Monte. Entre outras ponderações, o autor assinala que tais letras reproduzem um viés ideológico da sociedade brasileira dividida em diferentes grupos econômicos e raciais, mediados pelas festas, pelo carnaval. A autora insere esse subgênero musical como um lugar privilegiado para o entendimento de uma parcela do pensamento social nacional relacionada aos negros.

    Em suma, os autores supracitados, em diferentes proporções, contribuíram para o refinamento analítico e metodológico da teoria dos rituais. Clyde Mitchel recorre à etnografia de uma dança ritual tribal para analisar as relações entre africanos morando em contextos urbanos específicos. Por seu turno, Gluckman, ao tratar dos ritos de passagem, elaborou a ideia de relações multiplex para examinar as pessoas que desempenhavam diferentes papéis em circunstância de interagir em distintos ambientes.

    Assim, proponho o exame das letras desses sambas para adentrar nas representações e categorias mais centrais do vasto universo simbólico dessa escola de samba. A estrutura narrativa eminentemente fechada dessas composições com princípio, meio e fim inalterados, relativiza a irreversibilidade do tempo histórico: a cada vez que uma dessas canções é entoada, ela reaviva a memória do passado.

    Do mesmo modo, o compositor Argemiro declara que ele escreve sambas sobre o que sente.

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    Ademais, para Langer , p. Embora alguns compositores desse subgênero do samba se declarem poetas, suas produções artísticas seguem primordialmente as premissas da matriz musical. Seus sambas seriam expressões dos seus sentimentos e estados afetivos internos. Notadamente, como sinaliza Lima , os compositores de samba desvinculam suas capacidades pessoais de criar sambas do grau da escolaridade.

    Esse dom, porém, deve ser desenvolvido pelo compositor em sua vivência no mundo do samba, interagindo com os mais antigos. Ele certamente caía no esquecimento. A parceria é consubstanciada, quando um ou mais compositores, geralmente de confiança ou de preferência do autor dos primeiros versos, se encarrega de criar a segunda parte do samba. Apenas nos anos de , esse samba é concluído por Monarco para ser gravado em LP.

    E eu que bem sei, lhe responderei: a sombra da inveja, meu bem, ou o golpe de amar.

    Era julho de Alguns permaneceram em silêncios. Certos integrantes da Portelaweb ficaram exasperados, afirmando que a Portela tinha sido desrespeitada dentro de sua própria casa. Nesse sentido, para os membros da Portelaweb, seria de bom tom ele ter cantado exclusivamente sambas-enredo. A propósito, essas vitórias teriam possibilitado a escola ser classificada, em termos nativos, como a Majestade do Samba.

    Em uma passagem peculiar, o compositor denuncia a perda latente de valores, como a simplicidade, que teria retirado a Portela dos primeiros lugares. Foram eles que diretamente teriam contribuído para a Portela ser conhecida como um fértil celeiro de bambas. Tal fato funcionaria como sinal diacrítico ostentador da superioridade da Portela no carnaval carioca. Nesse contexto, o compositor Paulo da Portela, como visto no segundo capítulo desta tese, mesmo tendo sido afastado da escola, é considerado o maior entre os grandes portelenses.

    Talvez por isso seu nome apareça citado em dez das composições analisadas. À luz das sugestões de Baeta Neves , p. Dois pontos de vistas se sobressaem nos sambas que exaltam as qualidades de Paulo da Portela. A primeira valoriza seus dotes individuais de forma mítica.

    Certos versos de sua autoria reforçam representações compartilhadas por outros portelenses de que o bairro seria o reduto do samba tradicional. Alguns fatores podem explicar essa quase completa invisibilidade de Madureira nos sambas portelenses. Além de dividir o domínio simbólico da territorialidade de Madureira, com o Império Serrano, a Portela, como dito anteriormente, apenas se instalou geograficamente nesse bairro na década de Neste, a escola foi fundada e manteve suas primeiras sedes.

    É nele também que se localiza a Praça Paulo da Portela, pedaço do bairro que serve de ponto de encontro para a maioria dos membros da Velha Guarda da escola. Esses símbolos foram mencionados explicitamente em dozes sambas investigados. Noca da Portela e Edmundo Souto. Esta teria sido concebida por Antônio Caetano nos primeiros anos da década de e representaria a simbologia do poder, da força e da altivez.

    Nos anos de , as asas da alegoria começaram a se movimentar. Fonte: site Portelaweb. Certos compositores relatam que suas experiências de corporalidade nos eventos da Portela, tornaram-se fatos marcantes de suas biografias, sendo, pois, sempre relembradas.

    Nesses sambas, o recurso mnemônico é acionado. Em vinte e quatro letras, aparece uma voz central na primeira pessoa comunicando algum tipo de envolvimento emocional com a escola. Nessas identificações, as separações entre o mundo interno e o mundo externo - entre o Eu sujeito e a Portela - se estiolam e se confundem.

    Para um debate sobre o papel dos sentimentos e das emoções nos estudos antropológicos, ver Bateson ; Mauss ; Lévi-Strauss ; Turner ; Durkheim e Mauss Essa categoria foi retirada das reflexões de Giddens sobre as transformações da intimidade nas sociedades modernas.

    Minha alegria voltar FOI um que passou em minha vida, de Paulinho da. Sensibilizado com seu choro, abracei fraternalmente esse interlocutor.

    Conforme acertadamente sinaliza Cavalcanti , p. Essa categoria êmica açambarca os aficionados pela Portela, considerando a todos como membros de uma mesma casa, de uma extensa família. Submetidos à lógica de funcionamento dessa casa, os portelenses tacitamente compartilham suas regras, seus valores e, muito especialmente, seus tabus e evitações.

    Para a equipe, os aspectos considerados fundamentais na Portela é que prioritariamente deveriam ser conservados, ou seja, as glórias, os ensinamentos e os principais feitos dos considerados grandes portelenses. Embora afins no desígnio de preservar o passado da Portela, as diversas rodas de samba examinadas e as atividades da equipe Portelaweb se diferenciam entre si nas estratégias empregadas para reconstruir e atualizar esse passado.

    Por sua vez, refinando as conceituações dos dois pensadores anteriores, Ricoeur , p. Em suma, embora defenda a tese de que a História estaria voltada para os textos escritos, enquanto a Memória seria eminentemente oral, Ricouer , p. A propósito, os arquivos históricos seriam constituídos particularmente de documentos escritos.

    Sua proposta é mostrar que, apesar de dinâmica e sujeita às. E o que Portela ganhou com todas essas ações virtuais e rituais visando reconstruir e exaltar o seu passado? Acesso em: 21 dez. Em: Revista Brasileira de História. Doutorado em Antropologia. Natal: um homem de um braço só. Rio de Janeiro: Guavira Editores, Ronda Noturna: narrativa, crítica e verdade em Capistrano de Abreu.

    Em: Estudos Históricos, Rio de Janeiro, n. O Brasil do samba-enredo. Rio de Janeiro: Contraponto, O paradoxo do coringa e o jogo do poder e saber. A cultura popular na idade média e no renascimento: o contexto de François Rabelais. Nos Trilhos da memória ou uma beleza que o Rio desconhece. Goiânia: ABA, La cérémonie du naven. Paris: Les Éditions de Minuit, Verbal art as performance. Massachussets: New House Publieshers, Rio de Janeiro: Zahar, Magia e Técnica: Arte e Política. BOTT, Elizabet.

    Família e rede social: papéis, normas e relacionamentos externos em famílias urbanas comuns. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, Questões de Sociologia. Rio de Janeiro: Marco Zero Limitada, O Poder Simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, A cultura na rua. Campinas, SP: Papirus, Cultura Popular na Idade Moderna. A dona da voz e a voz da dona: a trajetória de Dona Ivone Lara.

    Rio de Janeiro: cultura, política e conflito. Enquanto se luta, se samba também. As transformações no carnaval carioca nos anos 70 - o caso da Portela e da Granes Quilombo. Rio de Janeiro: Faperj; Aeroplano, , pp. As escolas de samba do Rio de Janeiro. A cultura popular no Capitalismo. Pesquisa via internet: desafios e perspectiva do trabalho antropológico. Cadernos de Antropologia e Imagem, Rio de Janeiro, vol.

    História dos nossos gestos: uma pesquisa mímica do Brasil. A sociedade em rede. As grandes festas. Um olhar sobre a cultura brasileira. O rito e o tempo: ensaios sobre o carnaval. Cultura e saber do povo: uma perspectiva antropológica. Em: Cecília Londres org. Conhecer desconhecendo: a etnografia do espiritismo e do carnaval carioca. Pesquisas urbanas: desafios do trabalho antropológico. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, , pp. Carnaval Carioca: dos bastidores ao desfile.

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    A escassez e a fartura: categorias cosmológicas e subjetividade nas festas do Divino Espírito Santo entre imigrantes açorianos no Rio de Janeiro.

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    Cambridge: Cambridge University Press, FRY, Peter. Feijoada e soul food 25 anos depois. Fazendo Antropologia no Brasil.