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    Contents
  1. Pinóquio às avessas livro pdf
  2. Rubem Alves
  3. Pin on PINOQUIO
  4. Abordagem do livro “Pinóquio às Avessas”

Veja grátis o arquivo Pinóquio às avessas livro pdf enviado para a disciplina de Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem Categoria: Outro. Pinóquio às avessas – Rubem Alves Página 1. Pinóquio às avessas – Rubem Alves Página 1; 2. Pinóquio às avessas – Rubem Alves. Pinóquio às avessas – Rubem Alves. Página 1. Page 2. Pinóquio às avessas – Rubem Alves. Página 2. Page 3. Pinóquio às avessas – Rubem Alves. Página 3 .

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Ela também pode ter ficado em estado de choque, e levou algum tempo para superar esse estado, até atingir a dor que foi demonstrada. Era aquela a vida que eu havia desejado para mim, dedicada à pesquisa e ao estudo. Pelos olhos do Dreamer, como sob o efeito de um alucinógeno, eu via além das aparências o grumo de egoísmo e medo a que aquele homem se reduzira. Outros podem enfocar mais o entusiasmo ou o contentamento, para dar apenas alguns exemplos. Mas que informações dar sobre o texto? Assim, teriam contribuído com as gerações seguintes, até que, ao longo do tempo, todos tivessem essa característica. É possível que seja uma tristeza antecipada, isto é, importada de uma lembrança ou evento anterior. Perde-se na correria de todo dia, sem saber onde mora sua vontade. Mesmo nesse caso, pode haver tristeza quando a perda é sentida.

Pinóquio às avessas – Rubem Alves Página 1. Pinóquio às avessas – Rubem Alves Página 1; 2. Pinóquio às avessas – Rubem Alves. Pinóquio às avessas – Rubem Alves. Página 1. Page 2. Pinóquio às avessas – Rubem Alves. Página 2. Page 3. Pinóquio às avessas – Rubem Alves. Página 3 . Formatos disponíveis. Baixe no formato PDF, TXT ou leia online no Scribd. Sinalizar por conteúdo inapropriado Pinquio s avessas Rubem Alves Pgina 1. Pinóquio as Avessas é simplesmente uma obra literaria surpreendente e de extrema O livro trás para nós(leitores), o perigo da educação conservadora. Algumas poucas páginas para apreciação. Para ler reflexões sobre o livro acesse: al-arabic.info

As sombras dos edifícios eram goelas monstruosas, a garganta de um inferno que nos devorava. Um grito insistente de sirene cortou o ar e chocou-se contra aquela atmosfera opressiva, estilhaçando-a. Reconheci os sinais de um bairro mais humano e algumas placas indicadoras que enfim nos socorreram. Nunca mais revi aquele velho amigo. Aquelas escolhas que acreditei serem expressões da minha personalidade estavam se revelando armadilhas sem saída.

Percebi com repugnância a minha impotência. Um desespero mudo me dominou. Reclinei a cabeça sobre os braços. A tristeza transformou-se em sono. Uma antiga tela ocupava a parede do fundo da grande sala. A luz tênue permitia-me ver a paisagem campestre com uma figura sonhadora ao centro.

Encontrar-me naquela casa, àquela hora incerta entre a noite e a aurora, era muito estranho. Tudo me parecia familiar, ainda que estivesse certo de jamais ter estado ali antes. A casa permanecia silenciosa, como absorta em um pensamento. Subi a antiga escada de pedra até a porta maciça de um cômodo. Reparei que eu estava cuidadosamente vestido, como para um encontro com uma autoridade desconhecida.

Uma ciranda de pensamentos alimentava meu monó- logo interior como gravetos em uma fornalha. Tirei os sapatos, deixando-os à porta. Também esse ato pareceu-me natural. Alguma coisa dentro de mim sabia. Sem esperar resposta às minhas leves batidas, apoiei meu peso sobre a maçaneta de ferro e empurrei a porta o suficiente para minha passagem. Meus olhos pousaram sobre a lareira. Ele estava ao lado do fogo. De costas para mim. Vi projetada na parede a sombra do Seu vulto.

Mas o ímpeto de minhas palavras abateu-se como se atingisse paredes almofadadas. O silêncio que se seguiu cresceu no ser ao extremo. Dentro, uma risada mordaz ecoou por um tempo infinito. Depois daquela eternidade, a voz emergiu de novo. Houve uma pausa. O tom peremptório e aquela repentina mudança de assunto desconcertaram-me.

O desconcerto transformou-se rapidamente em medo e pânico. Senti-me subjugado por uma ameaça mortal. Suas palavras caíram sobre mim como uma ducha fria e imprevista que me deixou atordoado. A temperatura pareceu baixar muitos graus. Senti- me regelar. O tom era um sussurro rouco, sem doçura.

O golpe atingiu-me em pleno peito. Explodi de vergonha. Queria somente fugir, encontrar forças para simplesmente dar as costas e desaparecer. Bastaria o som de um telefone ou de um despertador para tirar-me dali. Entalhadas em grandes letras góticas e pintadas a ouro apareceram as palavras: Visibilia ex Invisibilibus. O silêncio ampliou os próprios contornos ao infinito. Dependência é medo. Quanto mais eu refletia no que me dissera, mais o ensinamento calava fundo dentro de mim.

Meu ressentimento aguçou-se até a cólera. O que tinha a ver a vida, o trabalho de um homem, com seus sentimentos ou com seus medos? Para mim, esses dois mundos, interno e externo, sempre foram separados, e assim deveriam continuar. Eu acreditava firmemente que se podia depender externamente e ser livre internamente. Ninguém jamais havia me tratado daquele modo. Aquela resposta inesperada encarcerou-me no estado de impotência. Sentia um opressivo sentimento de culpa. Queria me esconder. O Dreamer permaneceu calado.

Por aquela garganta imaginei passar um exército de milhares de seres subjugados, derrotados, como os romanos em Sâmnio, submetidos às forças caudinas. O Dreamer continuava silencioso. De repente, o sentimento de ofensa, de injustiça, que havia invadido cada parte do meu ser, desapareceu, e minhas defesas dobraram-se àquele decisivo golpe de aríete.

Senti ruírem as antigas bases sobre as quais eu apoiava minha existência. As convicções mais radicais, como templos abalados em seus alicerces, estavam caindo. Compreendi a falsidade de minha dignidade ofendida e a insignificância daquele eu que, como um ganido ao Universo, tinha pronunciado diante do Dreamer. Sem me dar conta, eu estava sendo engolido pela areia movediça da autopiedade. Sou uma mulher Fiquei estupefato.

Aquela voz O pensamento caiu em um precipício Cabeça baixa, paralisei. Um olho impiedoso, imenso como todo o horizonte, abria-se sobre meu passado. Era Luisa quem me falava, encontrando-me além do tempo, além dos confins da vida, com sua indefesa docilidade. As terríveis circunstâncias de sua morte, aos vinte e sete anos, estavam agora se manifestando à consciência.

Uma vergonha imensa, quase repulsa, inundou minha alma. Tentei distanciar-me do homem que eu tinha sido. Aquelas ideias, jamais ouvidas antes, estavam me destroçando.

Em seguida, um rio caudaloso derrubou cada barreira e inundou meu ser, arrastando consigo as recordações, os amigos, as minhas convicções mais radicais. Vencer, vencer E agora teria de renegar, anular tudo isso? Parecia-me injusto que o Dreamer condenasse meus esforços.

Veio-me imediatamente a imagem dos selvagens de Bornéo secando as cabeças de seus inimigos para lhes exorcizar a força.

Senti ternura, um estado de profunda tristeza e, junto, a autoridade de quem sabe. Entrei em estado de alerta, de angustiante vigilância. Um abismo imenso e sem fim abriu-se diante de mim, pronto a me engolir. As luzes do mundo empalideceram, quase se apagando. Encontrava- me no limite de um limbo.

Deixei-me levar, entregando-me a um torpor irresistível. Na mesma velocidade, móveis, livros e objetos refletiam o sofrimento de uma vida insignificante e sem alegria. Senti o esforço terrível para existir, a impossibilidade de mudar. Um espasmo juntou-se ao pensamento de encontrar as crianças e ver nos olhos delas a mesma morte que impregnava cada coisa à volta.

Temia que pudesse perder as forças e desaparecer com todo o resto. Trabalhei por horas para transcrever tudo quanto havia acontecido no encontro com o Dreamer e tudo o que havia ouvido Dele naquela casa misteriosa, no cômodo de pavimento branco. Aquele ser era agora parte da minha vida.

Reproduzi fielmente Suas palavras e cada detalhe daquele encontro. Bastava fechar ligeiramente os olhos para ver aflorar na memória cada particularidade com absoluta nitidez. Nas semanas seguintes, li e reli escrupulosamente as anotações em busca de qualquer pista que pudesse reconduzir-me a Ele e ao Seu mundo. Do terraço do Café de la France eu observava os turistas ocidentais entrarem no souk.

Havia três dias que eu retornava àquele café circundado pela vida frenética de Marraquesh. Fazia-me companhia um casal de camaleões comprado assim que cheguei. Depois, retornava à minha mesa. Começava a me desencorajar! Depois de haver recebido uma mensagem Sua, hesitei muito antes de partir. Decidi partir. Esse Dreamer me parece uma ótima pessoa. Sempre fez parte da família e ajudou Carmela no trabalho de parto quando nasci.

Com ela, dei meus primeiros passos, com ela ao lado enfrentei os primeiros dias de escola. Com Giuseppona sentia-as ainda vivas e palpitantes; debaixo de remendos e trapos, eu via filtrarem-se lampejos de ouro e sedas preciosas.

Na adolescência, foi minha confidente em todas as questões de amor. Adorou Luisa desde o primeiro dia, e, quando nos casamos e tivemos a primeira menina, ela veio morar conosco. Era lenta, pesada, mas onde quer que chegasse colocava ordem. Com ela nunca faltava nada.

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Sua capacidade de julgamento, a mesma a que recorri em tantos momentos da vida, era uma mistura incomum e sempre nova de bom senso e sabedoria popular. Sua presença trouxe alegria e bom humor em todos os lugares que me acompanhou, em qualquer parte do mundo, e foi uma referência constante por toda a minha vida. Passei as longas horas de espera vagando pela cidade em busca de qualquer indício. O interior da loja era surpreendentemente espaçoso. Assistido por duas auxiliares, eu o desafiei a encontrar alguma coisa que me pudesse interessar.

Desenrolou centenas de tapetes e lustrou na própria manga, antes que eu os examinasse, uma montanha de objetos de cobre e de prata. Sobre a tampa da caixa, gravadas em caracteres góticos, liam-se as palavras: Visibilia ex Invisibilibus.

Tudo aquilo que vemos e tocamos nasce do invisível. Mudar o passado Do souk retornei ao terraço do Café de la France para pegar meus pequenos companheiros verdes e escamosos. Ali, apoiado no parapeito, refletia sobre o que havia acontecido. A primeira regra para enfrentar o deserto é viajar com pouca carga, alguém às minhas costas disse. Sobressaltei-me ao som daquela voz.

O Dreamer sorria. Sua aparência era a de um rico aristocrata viajante de outros tempos. Seu passado é um castigo de Deus! E parou. Particularmente longa, aquela pausa foi como se, para poder ir além, esperasse um sinal que tardava a aparecer. Eu teria colocado uma barreira protetora diante da força explosiva daquelas palavras que me perseguiam sem um minuto de trégua. Um fulminante sentimento de ofensa surgiu como um reflexo psicológico condicionado que invadiu cada parte do meu ser.

Do mesmo jeito que apareceu, foi-se, como um resmungo. O Dreamer ocupava uma das mesinhas do café. Com um aceno, indicou-me um lugar ao Seu lado.

Tudo indicava que estava por se abrir um novo e importante capítulo do meu aprendizado. Senti-me bem com aquele gesto. Papel e caneta queriam dizer re-cordar, recuperar, recolher partes de mim dispersas pelo mundo quando longe Dele.

Escrever diante Dele, anotar cada coisa que dissesse, significava entrar na ponta dos pés em zonas inacessíveis do ser. Voltou os olhos para se certificar de que eu estava mesmo sendo fiel nas minhas anotações. Significa lavar e curar as feridas ainda abertas Assumindo uma postura teatralmente circunspecta e abaixando a voz como quem conta um segredo, confidenciou: Perdoar-se dentro tem o poder de transformar o passado com toda a sua carga.

Infinitas vezes remexi no meu íntimo esse conhecimento de significado incompreensível. Uma só realidade. Falou-me de um tempo vertical, de um corpo-tempo que comprime passado e futuro em um só instante. Um tempo sem tempo, cuja porta de entrada é o instante agora. Penetrar nesse corpo-tempo significa poder mudar o passado e desenhar um novo destino. Desejei que aquela aventura começasse imediatamente Mas meu ímpeto nem teve tempo de se manifestar, contido que fui pela Sua severidade: Para homens como você é impossível perdoar-se dentro.

Remotamente, isso me fez pensar em alguns experimentos de psicologia aplicados a empresas que conheci quando ainda estudava na London Business School. A tarefa de um administrador móvel consistia exatamente em circular, fazer sentir a sua presença em todos os cantos da empresa, mesmo os mais distantes.

Fitou-me intensa e demoradamente.

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Minha presteza deixou-O reflexivo. Lentamente, assumiu uma de Suas posturas originais. Apoiou o queixo sobre a concavidade do polegar, mantendo a cabeça ligeiramente inclinada. Tudo dependia de mim. Permanecemos em silêncio por um longo tempo. A bordo, apenas nós Foram as advertências que pude ouvir. Sentia com dificuldade aquilo que o Dreamer me dizia, como se Sua voz fosse, em alguns momentos, encoberta pelo ruído de motores invisíveis. O Universo parou, a fita do tempo retornou, nada no mundo pareceu mais importante do que aquela nossa viagem em sentido reverso na minha consciência e no meu passado.

Embora no tempo linear tenham se passado apenas poucos anos dos fatos que eu estava reexaminando junto ao Dreamer, aquela parte da minha vida pareceu-me incrivelmente remota. Um melanoma havia aberto uma cavidade em uma de suas pernas, como um buraco na areia que uma criança faz brincando na praia. Os contornos do mundo fizeram-se ainda mais confusos, como se eu visse através dos olhos surrados de um pugilista.

Por meses conheci apenas rancor: um ressentimento surdo entre a raiva e o medo. Criminosa cumplicidade de pensamentos e emoções Fragmento imprevisível e danoso do ser Uma lâmina de luz transpassa o escuro da minha existência. Uma fresta Voo ao seu encontro, aproxima-se, avulta, o planeta opaco dos meus anos passados Sem espaço, sem passagem Um canal me engole O quarto de um hospital de província Uma figura prostrada ajoelhada diante de um ser estendido, imóvel Essa era a cena que eu observava com o Dreamer.

Pelos olhos do Dreamer, como sob o efeito de um alucinógeno, eu via além das aparências o grumo de egoísmo e medo a que aquele homem se reduzira. Cada detalhe revelava o descuido, o abandono, o ranço da vida daquele ser. Queria fazer alguma coisa àquele homem que eu havia sido, advertindo-o de nossa presença.

Queria entrar naquele ser para pôr ordem às coisas, infundir-lhe um pouco de dignidade, fazer que ele endireitasse as costas curvas, desmanchar aquele semblante de dor do seu rosto Eu estava atônito, incapaz de acreditar em tamanha monstruosidade.

Ao lado do corpo de minha mulher, outros jaziam imóveis. Nenhum era jovem como Luisa. Como poderia aceitar ser o idealizador, o diretor daquele filme de horror que eu chamava de minha vida? Vi-me violento, enraivecido, como se alguém estivesse arrancando de golpe o que eu tinha de mais valioso. Algo lacerou meu ser. Um grito mudo ecoou dentro de mim e permaneceu de fundo como um resmungo de rancor.

Enquanto as palavras do Dreamer tornavam-se reais, naquele quarto decorado para o luto, com outros leitos circundados por velas, a morte de Luisa parecia irreal, como a cena de uma missa macabra.

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O que faço aqui? Estava repreendendo-me. Esperei alguns segundos e depois fiz sinal ao Dreamer de que estava pronto para prosseguir. Naqueles meses, com os colegas, eu havia estabelecido uma espécie de simbiose emocional, que combinava a minha atitude de autopiedade com a solidariedade barata deles. Tratavam-me com a gentileza ou solicitude que se dedica a um doente, a um ferido, a um derrotado.

Vi todo o horror daquela barganha e senti um profundo desconforto. De qualquer parte que observasse, meu passado era tecido de sombras. Eu me agitava como um desesperado no local de um desastre, tentando recuperar alguma coisa: uma pessoa querida, um relacionamento, qualquer coisa que tivesse utilidade ou valor.

Até que vi Aquela presença escura que sempre me seguiu na escolha de cada nova casa, em cada mudança. Alguma coisa dentro se quebrou.

Rubem Alves

Tive a certeza de que eu nunca mais seria como antes. Pelo tempo infinito em que experimentei aquele vazio, aquela ausência, deixei de existir. Novas imagens do meu passado começaram a se movimentar como em uma moviola. Ao pôr do sol, as sombras dos pinheiros apoderavam-se da velha casa insinuando-se como presenças sutis nas partes mais profundas do ser.

Reconheci o vento que se precipitava colina abaixo, encontrando impulso exatamente naquele ponto. Igualmente inesperado foi o encontro com a escadaria de pedra e terracota. Preparando-me para subir, voltei o olhar para o fundo do jardim, além da casa.

Pus-me a observar as janelas iluminadas daquela pequena casa. As recordações fluíram e aglomeraram-se na minha mente.

Apenas alguns anos mais velha que eu, alta, atraente, Judith era uma pessoa reservada. Certifiquei-me de que o Dreamer estivesse ainda ao meu lado e me aproximei de uma janela da pequena sala de visitas. Sentia o ser sobressaltado como quando, à noite, eu a procurava e sobre seu corpo descarregava meu medo, a incapacidade de suportar aquilo que estava me acontecendo.

Podia agora sentir todo o horror dos pensamentos daquele homem, o odor nauseante de suas intenções. Pela primeira vez eu via com clareza qual luta me lacerava as vísceras: o embate entre a dor por aquela morte anunciada e a alegria secreta e selvagem por me libertar da minha mulher, do peso daquele matrimônio imaturo, desequilibrado.

A cortina da falsidade se levantou. Uma força irresistível me impediu de fugir e me deteve imóvel diante da janela de Judith. Revi a cena do nosso encontro. Nosso ato se consumava em orgasmos insignificantes como espirros. Luisa estava em casa, a poucos metros de nós, separada só pelo jardim. Resisti a me reconhecer como capaz de qualquer baixeza, ainda que fosse para salvar a mim mesmo. Assim, cruelmente, estavam se cauterizando as feridas ainda abertas do meu passado. E assim, lacrada dentro de um vidro e etiquetada com esse rótulo, eu a exilei entre as recordações do passado.

Somente agora, pelos olhos do Dreamer, via o que de fato Judith tinha representado para mim. Judith era melhor que eu. Havia visto claramente quem eu era!

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Havia me reconhecido como um portador da morte! Mas resplandecia. Dirigi-me ao Dreamer. As pernas me falhavam. Um pensamento absurdo, uma cunha de desvario estava se inserindo em uma fresta da minha racionalidade. Eu a sentia comprimir-me. Penetrava lentamente, inexoravelmente em um ponto recluso da consciência. O pensamento voou em movimento turbilhonar sobre aquela voragem e nela se precipitou. Um lado duro do meu ser enterneceu e ruiu.

Chorei como uma criança. Obrigado, Luisa! Continuamos a viagem ao passado. Experimentei aquele sofrimento que se fazia mais agudo cada vez que se aproximava uma partida. Penetrava penosamente nas linhas da história de cada um, nas palavras de suas expressões, nos matizes de seus sofrimentos.

Era invadido pelo medo de um dia ter de me sujeitar ao mesmo destino. Apressadamente cumprido o ritual de cônjuge condoído, uma vez amortecidos meus sentimentos de culpa — achando alguém da equipe médica, pedindo notícias e mostrando-me preocupado — rapidamente tratava de encontrar um pretexto qualquer e escapava. Naquela bolha psicológica encontrava ar, como uma enguia em seu muco.

Somente o pensamento em Luisa, a cada tanto, irrompia sem prévio aviso e distraía minha embriaguez. Com o Dreamer aproximei-me do leito de Luisa. Tinha os olhos fechados. Estava só. O Dreamer escolheu um dia em que eu estava trabalhando ou vagando pela cidade, fugindo de mim mesmo. O respiro afanoso de Luisa alçava a delicada coberta em um ritmo impressionante, inumano.

Um sinal do Dreamer encorajou-me a me avizinhar. Desloquei com cuidado uma cadeira ao lado do criado-mudo de metal e ali fiquei por muito tempo observando-a. Mechas de cabelo banhadas de suor caíam-lhe sobre a testa e na parte do rosto mantida fora do lençol.

Os meses e os dias do nosso breve casamento passaram diante de mim, vividamente, com toda a carga dos fatos, das lembranças. Nosso primeiro apartamento. As histórias que eu lhe contava na volta do trabalho e o orgulho, que eu lia nos seus olhos, dos meus primeiros sucessos. O nascimento de Giorgia. O nascimento de Luca. E depois a doença. Éramos dois fracos agarrados um ao outro, dois incompletos que tinham se iludido de poder fazer uma unidade.

Falei-lhe da vida, da beleza, da felicidade. Ainda assim me regozijava. Sentia-me apaixonado, arrebatado, como nunca antes. Até aquele dia, hipnotizado por atos e ilusórias ocupações, eu tinha enfrentado com puro sofrimento o tempo transcorrido ao lado de Luisa. Aquela espera sem passado nem futuro, aquele tempo sem acontecimentos, a imobilidade, o silêncio e a calma que governavam aquele mundo me enchiam de assombro.

Comovi-me e liberei-me. Era a minha morte. A morte que eu sempre trouxe dentro. Em troca, eu a havia maculado de malevolência e acusações. Semana após semana havia vivido com aqueles seres agarrados, como ela, a um fio de vida, sem compreender o que me davam. Conter aquele mundo — que revelava a morte que eu carregava em mim —, assumir a responsabilidade por ele faziam parte daquele processo, nem ao menos ainda iniciado, que o Dreamer chamava de perdoar-se dentro.

Era noite. Alas e corredores silenciosos no hospital. Havia uma coisa ainda a fazer! Puxei o lençol e a descobri. Sob a camisola o corpo mostrava tumefações enormes. Examinei a ferida escura e profunda como um ninho.

Repus-lhe a coberta e a beijei. Quando abri os olhos, estava no meu quarto de hotel em Marraquesh. Naquele mesmo dia organizei minha viagem de retorno a Nova York.

Algo de miraculoso envolvia ainda a lembrança de cada instante vivido com Ele, do encontro no Café de la France à viagem ao meu atormentado passado, até a noite transcorrida com Luisa. Somente um ou outro fragmento da minha vida continuava preso ao ser. Um em particular, um só eu ainda segurava com força. O Dreamer ocupava uma das mesinhas. Em torno Dele, um pequeno agrupamento de garçons, todos reverentemente atentos a escutar Suas recomendações. Uma aura de prosperidade constantemente O circundava.

Buscava o refinamento em cada detalhe e amava a fartura, embora cada atitude Sua fosse marcada pela sobriedade de um guerreiro macedônio. Sua dieta ia, portanto, bem além da frugalidade. Parecia feliz em rever-me. Com um leve aceno de cabeça, cumpriu a dupla tarefa de me saudar e convidar-me a sentar.

Era a primeira vez que O via depois do nosso encontro em Marraquesh. Havia esperado impacientemente por esse momento. Agora, na Sua presença, milhares de perguntas me assaltavam a mente, algumas delas ecoavam havia séculos, atravessando a história do mundo sem encontrar resposta.

Quase nem tocou a comida. Parecia alimentar-se das impressões que colhia, da harmonia e do ritmo de cada pequeno movimento. Esperei com impaciência que Ele começasse a falar.

Parecia-me ouvi-la pela primeira vez. A Escola é a viagem de retorno. O brilho dos seus olhos escuros revelavam uma alegria secreta.

Um mecanismo recluso foi acionado. Senti fisicamente o disparo mecânico de uma engrenagem começando a funcionar. Com a dor lancinante de um remorso, percebi a imoralidade de ter vivido anos e anos fora de casa e, ao mesmo tempo, deliciei-me com o prazer de viver o milagre de estar diante de algo, de alguém que eu tinha desesperadamente procurado.

A maravilha daquilo que eu ouvia só foi superada por outra ainda maior, quando disse: O verdadeiro criador da realidade que o circunda é você! Você apenas se esqueceu. Um traço de hostilidade na minha voz indicava a distância que se estava criando entre nós. Os primeiros, guiados pelo Fato,6 eram destinados a uma grande aventura individual; os outros, condenados a uma existência insignificante, eram governados pelas leis do acaso e da acidentalidade. Iluminou-me o pensamento que os grandes mitos, das épocas mais remotas, na realidade narravam as ações de homens que haviam encontrado a Escola.

Suas façanhas, as lutas contra monstros e gigantes, cantadas por bardos errantes, eram etapas da viagem de retorno, uma viagem pelos próprios processos psíquicos, nos meandros mais escuros e secretos do ser. Seu movimento tirou-me bruscamente do esforço de entrar em acordo com aquelas novas ideias. Eu tinha um nó no estômago.

Queria despejar aquele vinho novo, exuberante e incapaz de ser contido nos odres velhos das minhas convicções. Queria restringir aquele oceano aos limites de uma racionalidade que estava se despedaçando e sucumbindo aos Seus golpes.

Perdia-me em intelectualismos vazios para esconder de mim mesmo a evidência do Seu ensinamento, que penetrava sempre mais profundamente, como uma ameaça perigosa e fatal ao antigo equilíbrio. Eu deixava com pesar aquela esquina tranquila em que o ar ainda vibrava com Seus ensinamentos.

Cada detalhe daquele encontro ficaria para sempre gravado nas minhas células, inclusive as mesinhas finamente preparadas, o movimento dos garçons, e até mesmo os folheados de arroz recém-saídos do forno. Atravessei com Ele a praça e O segui até uma igreja. Transpondo a nave principal e o altar, alcançamos a pequena capela.

Na penumbra, consegui ver dois grandes quadros, um diante do outro. Olhei em volta. Uma forte luz incidiu sobre as duas obras. Segui Suas indicações e examinei atentamente aquelas duas obras-primas.

O quadro à esquerda representava Pedro crucificado de cabeça para baixo; o outro, a queda de Paulo na estrada de Damasco. Fez uma longa pausa antes de, sibilino, anunciar que era tempo de voltar a escutar Sua voz. Eu estava atônito. Seu tom tornou-se imperativo: Procure aquele manuscrito. Provei um gosto de reconhecimento. Um grande sim, solene como um juramento, irrompeu do meu peito. Dedicar-me-ia àquela pesquisa com todas as minhas forças. O Dreamer percebeu que eu estava perdendo o foco, querendo tomar velhos caminhos, recaindo no clichê melancólico de pesquisador improdutivo.

O verdadeiro conhecimento pode ser apenas recordado O antigo mosaico do pavimento dilatou-se e a distância entre nós começou a aumentar, de início imperceptivelmente, depois a olhos vistos. Reconheci- as. Era um sistema de medida universal, perfeito. Senti a embriaguez da invulnerabilidade, da impecabilidade do Dreamer.

Nada podia violar, corromper aquela integridade. Lupelius Naquele mesmo dia, comecei a pesquisa sobre a antiga Escola e sobre o manuscrito do qual o Dreamer me havia falado.

Investiguei nas bibliotecas das grandes universidades, contatei institutos de filosofia, estudiosos e pesquisadores. Estendi minha busca também à Europa, mas sem resultados. Porém, havia anos que também esta tinha desaparecido, engolida pela areia do tempo. No encalço daquele ensinamento perdido, cada indício, cada novo encontro colocava ordem na minha existência.

Reencontrar aquele manuscrito e retornar ao Dreamer eram uma só coisa para mim. Este pensamento renovava minhas energias para prosseguir na pesquisa que Ele me confiara. A figura de Lupelius, servidor do mundo, apaixonou-me subitamente. As sociedades humanas podem ser comparadas — e julgadas — pelo seu sucesso ou fracasso em transmutar a linguagem comum em instrumento do encontro genuíno entre os seres humanos. Isso explica muita coisa da nossa política. Deslizam instintivamente para fora da realidade, como que por medo de se conhecer, de topar de repente com a imagem da sua própria miséria interior.

Em qualquer outra sociedade conhecida, um tipo assim estaria condenado ao isolamento. Seria um excêntrico. Na medida em que se amolda à sociedade brasileira, a alma se afasta da realidade — e vice-versa.

O homem realista, sincero consigo próprio, direto e eficaz nas palavras e ações, é que se torna um tipo isolado, esquisito, alguém que se deve evitar a todo preço e a propósito do qual circulam cochichos à distância. Sobretudo se insiste que pode provar. O assunto é mero pretexto para lançar, de maneira sutil e elegante, um apelo que em linguagem direta e franca o exporia ao ridículo.

Pouco importa o que sejam. Mas viu de relance, num jornal, que é coisa ruim. Essa solidariedade no fingimento é a base do convívio brasileiro, o pilar de geleia sobre o qual se constroem uma cultura e milhões de vidas.

Em outros lugares as pessoas em geral discutem coisas que existem, e só as discutem porque perceberam que existem. Aqui as discussões partem de simples nomes e sinais, imediatamente associados a valores, ao ruim e ao bom, a despeito da completa ausência das coisas consideradas.

Mas, sem uma história oficial para combater, ela perderia todo o encanto da rebeldia convencional, pondo à mostra os cabelos brancos que assinalam sua identidade de neo-oficialismo consagrado — balofo, repetitivo e caquético como qualquer academismo. Ela própria é um cavalo morto. Diga você o que disser, mostre-lhes mesmo as realidades mais óbvias e gritantes, nada os toca. Só enxergam o que querem. Perderam a flexibilidade da inteligência.

Trocaram-na por um sistema fixo de emoções repetitivas, acionadas por um reflexo insano de autodefesa grupal. Um grau elevado de imbecilidade moral coincide aí com a perfeita representatividade que faz do indivíduo o porta-voz por excelência dos interesses do grupo e, na mesma medida, o reveste de uma aura de qualidades morais e intelectuais perfeitamente fictícias.

Essa é também a base do amor ao próximo e de toda convivência civilizada. Mas muitas outras faziam — e fizeram até recentemente — controle da natalidade pelo delicado expediente de sepultar vivas as crianças indesejadas. Com a chegada da Funai, esse costume foi progressivamente abandonado e as tribos começaram a crescer. Pela primeira vez na história dos tempos modernos a parte falante da humanidade parece ter entrado num acordo.

Embora ainda haja ditaduras aqui e ali, a ideia de ditadura perdeu toda respeitabilidade intelectual, e acredita-se, com platônico otimismo, que aquilo que desaparece do céu das ideias deve também desaparecer deste baixo mundo mais cedo ou mais tarde.

Democracia é o nome de um regime político definido pela vigência de certos direitos. Só o Estado pratica — ou viola — a democracia. A sociedade civil vive nela e se beneficia de seus direitos, mas nada pode fazer a favor ou contra, exceto através do Estado. Alguns países escandinavos consolidaram-se como democracias normais desde a segunda metade do século XIX. A democracia israelense nasceu junto com o próprio Estado de Israel, em Isso permite que forjem alianças, alternadamente ou ao mesmo tempo, com gangues de delinquentes e com os partidos legítimos, às vezes desfrutando gostosamente de uma espécie de direito ao crime.

Essa desvantagem da direita é compensada no campo econômico, em parte, pela inviabilidade intrínseca do estatismo integral, que obriga a esquerda a fazer periódicas concessões ao capitalismo. Basta compreender essas noções para perceber, de imediato, que a democracia brasileira é um doente em estado quase terminal.

Uns e outros têm com o governo divergências pontuais e, é claro, disputa de cargos. Nada mais. A menor tentativa de recolocar os fatos nas suas devidas proporções é rejeitada, inclusive nas universidades, como um sinal ameaçador de golpismo iminente.

É um quadro nitidamente psicótico, onde tudo é mentira, fingimento e pose. Em doses moderadas, filhinho, até a estricnina vale alguma coisa. A esquerda conseguiu convencer até os direitistas de que nenhuma dose de esquerdismo é excessiva, tanto que o sr. Manuel Marulanda,8 nem muito menos se esquivou jamais de fazer parceria com o sr. Fidel Castro, que é o extremismo de esquerda encarnado. Dele participam todos os governantes esquerdistas do continente.

O gramscismo conquista a hegemonia para ser levado ao poder suavemente, imperceptivelmente. Jornal da Tarde, 28 de outubro de O socialismo matou mais de milhões de dissidentes e espalhou o terror, a miséria e a fome por um quarto da superfície da Terra.

Tertium non datur. O socialismo consiste na promessa de obter um resultado pelos meios que produzem necessariamente o resultado inverso. Ainda que imensamente cretino, isso é humano. Ser socialista é recusar-se, por orgulho, a assumir as responsabilidades de uma consciência humana.

Citações elucidativas Heitordepaola. O ódio é a base do comunismo. É o martelo com que esmagamos nossos inimigos. Somente um canalha desprezaria como irrelevantes os quarenta fuzilamentos mensais de mulheres chinesas e seus respectivos médicos que se recusam a praticar aborto. Meus próprios filhos passaram por isso, e recebo mensalmente dezenas de e-mails com relatos de situações similares.

Em face disso, os brasileiros reagem Direi que isso é ingenuidade? O governo leninista completou cifra idêntica em poucas semanas. O exemplo proliferou. Perdemos até o senso do antes e do depois.

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Mas como pode ter sido isso, se a guerrilha começou em , sempre dirigida e financiada desde Cuba? Mediante as lições dos mestres socialistas, desaprendemos até o senso instintivo da ordem temporal dos fatos. Acreditar nessa gente, ainda que por breves instantes, é desmantelar o próprio cérebro, é destruir em nossas almas a capacidade para as distinções mais elementares e autoevidentes.

Por um tempo, imaginei que fossem apenas idiotas, covardes ou preguiçosos. Mas a idiotice, a covardia e a preguiça têm limites: ultrapassado um certo ponto, transformam-se na modalidade mais requintada e sutil de canalhice.

Se incluísse, o total, na mais modesta das hipóteses, duplicaria. Talvez até um pouco pior. Isso é requisito preliminar, independente, mesmo, do mérito das questões em disputa.

Feio é aliviar, por piedade, as culpas dos criminosos, atribuindo a autoria de seus feitos ao demônio. Yo no quiero verla! Confronto de ideologias? Transferida do confronto objetivo das doutrinas para o terreno da concorrência de interesses, a luta parece opor agora o explorado ao explorador. A vitória do fascismo O Globo, 26 de julho de Tom Jobim dizia que no Brasil o sucesso é um insulto pessoal. O capitalismo, nesse sentido, é uma sociedade administrada, um mecanismo racional calculado nos seus mínimos detalhes para bloquear o progresso social.

Cinismo ou inconsciência? Maquiavelismo ou burrice? É natural que projete essa conduta sobre a fisionomia do inimigo, concebendo-a à sua própria imagem e semelhança. Mas toda fantasia projetiva é necessariamente paradoxal; é ao mesmo tempo direta e inversa. Mas é, sem tirar nem pôr, economia fascista. Daí o pacifismo, o feminismo, o multiculturalismo, o desarmamentismo civil, o casamento gay etc. Para um relato estarrecedor de um sobrevivente dos gulags, ver Alexander Soljenítsin, Arquipélago de Gulag, Livraria Bertrand, Essa escala é essencialmente a mesma para todas as épocas e lugares, e se torna conhecida pelos exemplos dos santos e profetas — no cristianismo, o exemplo do próprio Deus encarnado.

Um déspota, um tirano, o suprassumo do reacionarismo para seus contemporâneos, pode se tornar retroativamente progressista caso se descubra que contribuiu, malgré lui, para acelerar um processo que desconhecia por completo. O estudo das religiões comparadas mostra a profunda unidade e coerência das grandes tradições no que diz respeito às virtudes essenciais.

Por isso o homem espiritual, conhecendo o conceito da conduta certa, pode se guiar a si mesmo, fazendo o bem de acordo com a sua consciência sem ter de seguir ninguém. A possibilidade de conduta independente é aí nula e autocontraditória. Ele pensa e sente com o partido, ama e odeia com o partido, quer com o partido e age com o partido. Tudo o que no seu ser escape dessa bitola é desimportante ou doente. A estrutura da individualidade manifesta-se antes de tudo como hierarquia de metas vitais, diversa em cada ser humano.

Digamos, por exemplo, a caridade. Para quem a cultue, é, por si, a meta, o valor e o critério supremo das ações. Reconhecer seus objetivos vitais como independentes, ah!

Daí que ele seja incapaz de compreender os outros nos próprios termos deles. Era a favor da ciência histórica. A história tinha de ser a favor do partido ou contra ele. No dia seguinte, a Gestapo estava no encalço de Eric Voegelin. Lyndon LaRouche, que por sua vez me considera um porta-voz de tudo o que ele abomina. As intenções pessoais da vítima, aí, desaparecem por completo. Do mesmo modo, o sr. A regra essencial da tragédia é a ausência de culpa.

Ele fracassa porque entra em choque com as exigências superiores de uma ordem cósmica invisível. Do mesmo modo, o protesto inflamado contra qualquer violência antissocialista é um persistente leitmotiv do discurso de esquerda, mas nenhum regime direitista jamais matou, prendeu ou torturou tantos militantes esquerdistas quanto Stalin, Mao, Pol-Pot ou Fidel Castro. Essa estratégia, cujo nome é hoje proclamado abertamente pelo sr. A assimetria consiste precisamente nisso.

As inscrições nestes cartazes dizem tudo. Leia a história completa em www. Resultado final do massacre: três milhões de civis mortos, mais de três vezes o total das vítimas da guerra. Leia a história completa em Triumph Forsaken. The Vietnam War, , de Mark Moyar. Muitos cometeram assassinatos pessoalmente, sem jamais demonstrar remorso.

Outros foram estupradores ou exploradores de mulheres, opressores vis de seus empregados, agressores de suas esposas e filhos. Outros, orgulhosamente pedófilos. E mesmo aqueles que reconhecidamente pecaram, como Dostoiévski, Winston Churchill, Charles de Gaule, Ronald Reagan ou Maurice Barrès, jamais ostentaram orgulho disso como um Rousseau ou um Brecht, nem muito menos trataram de encobrir suas vergonhas com uma engenhosa teia de mentiras autolisonjeiras como o fizeram Voltaire e Diderot.

Havia, por outro lado, o teste evangélico: os frutos. A resposta é longa e só posso aqui fornecê-la em abreviatura. Esse sentido, porém, se realizava no Juízo Final, num supratempo localizado para além da história material: o nexo unificador da história estava na meta-história. Por baixo da narrativa espiritual, porém, desenrolava-se a história social, política e econômica da humanidade.

Chega a ser tragicômico que o reconhecimento desse fracasso, na segunda metade do século XX, tenha provocado tanto estupor e desespero. Se descontarmos algumas obras mais recentes que beberam abundantemente em Agostinho por exemplo, as de Christopher Dawson e Eric Voegelin , A Cidade de Deus ainda é o melhor livro de filosofia da história.

Num relance, o eixo vertical da história tinha virado de cabeça para baixo. Essa mudança foi uma ruptura total e radical da cultura europeia com a estrutura do tempo, o que vale dizer: com a estrutura da realidade.

Mas estar por baixo significa estar invisível. Nenhuma dessas concepções filosóficas examina criticamente o instante perpétuo. Se o examinasse, veria que era uma bobagem sem par. Assim, toda a vivência moderna do tempo histórico foi determinada pela autoridade onipresente e invisível de um ilogismo cretino.

Essa é a força, intrinsecamente anti-humana e diabólica, que faz as multidões servirem ao mal em nome do bem. Só no sentido popular e impressionista da palavra. O mesmo aconteceu na América em A França, antes de , era o país mais rico e a potência dominante da Europa. Aristóteles, Descartes e Leibniz ensinavam que, quando você tem um problema grande, a melhor maneira de resolvê-lo é subdividi-lo em unidades menores.

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A retórica globalista nada pode contra essa regra de método. E é o processo mais vasto e ambicioso de todos. Um princípio certo sempre pode ser usado da maneira errada. O fenômeno resulta da convergência de três fatores. Foi a vitória completa do fabianismo e do gramscismo sobre as versões mais arcaicas do movimento comunista. O que é preciso é um governo mundial. A primeira dessas tendências predominou no governo Clinton.

Como isso afeta o Brasil? Q uem foi que inventou o Brasil? Desde que Ludwig von Mises explicou essas obviedades em ,7 muitas consequências se seguiram. Essa outra coisa só poderia ser um capitalismo oculto, como na URSS, ou um socialismo meia-bomba, uma simbiose entre o poder do Estado e os grupos econômicos mais poderosos, um oligopólio, em suma.

O Brasil de hoje é o laboratório dos seus sonhos. Tornaram-se grandes fazendeiros, e condes, e duques, e príncipes, e reis. Poder militar. Com isso, os megacapitalistas mudam a base mesma do seu poder.

Tudo, no mundo, convidava ao totalitarismo. O próprio Pascal Bernardin descreveu meticulosamente o fenômeno em Machiavel Pédagogue. Para isso, uma das técnicas de emprego mais generalizado hoje em dia é a dissonância cognitiva,11 descoberta do psicólogo Leon Festinger Vejam como a coisa funciona.

O comando pode ser oco e sem sentido, como por exemplo Change! Só aos poucos, orientada pela graça divina, a luz da experiência vai dissipando a névoa das aparências. O caso de Tiger Woods, que citei no artigo, é um entre milhares. Escândalos de adultério espoucam a toda hora na mesma mídia que advoga o abortismo, o sexo livre e o gayzismo. Percebendo a resposta complacente dos fumantes, passaram a banir o fumo das praias, nas praças e nas calçadas das grandes cidades.

Abordagem do livro “Pinóquio às Avessas”

Nenhuma dessas propostas veio do povo brasileiro ou de qualquer outro povo. Nada nos seus planos e ações é secreto. Os primeiros deixam-se levar pelo atrativo aparente das metas nominais proclamadas e acreditam piamente — ó céus!

Decerto, só os dois esquemas globalistas concorrentes, o russo-chinês e o islâmico. Se alguém dissesse, com todas as sílabas, que ser contra casamentos de machos com machos é nazismo, a mentira grotesca se denunciaria no ato.

Tanto quanto a censura ostensiva, a transferência proposital das escolhas para o reino nebuloso das reações inconscientes é um abuso de autoridade, uma prepotência cínica que suprime o direito de saber, fundamento do direito de opinar. Até a década de , quando a maior parte das técnicas a que me refiro estava ainda em fase de estudos em laboratório, os intelectuais se interessavam pelo assunto, investigavam, discutiam a imoralidade e a periculosidade da ameaça iminente que representavam para a democracia.

Ela é um problema policial puro e simples. Nem o foi a independência americana, um caso especial que terei de explicar num outro artigo. Nesse sentido, o autor destas linhas é estritamente conservador.

Nada pode permanecer intocado. Daí, também, que as mais hediondas realizações da sociedade tecnológica, como a guerra total e o genocídio, tenham de ser explicadas, de maneira invertida e totalmente irracional, como resíduos de épocas incivilizadas em vez de criações originais e típicas da nova cultura.

Quero dizer que algo que eles acreditam piamente de si mesmos coincide com algo que sua plateia acredita piamente a respeito deles. No fundo ele tem consciência da sua falsidade e, pego de jeito, pode ser desmascarado perante si mesmo. E histeria significa deixar-se arrebatar pelo próprio fingimento a ponto de acreditar nele piamente. Ele tem de falsificar tudo para que os méritos hipotéticos da sociedade prometida sejam tomados como virtudes atuais da sua própria pessoa e do seu partido.

Quando o sr. Ninguém vai ver. Pequemos, pois, com a consciência tranquila, e discursemos contra o mal do mundo. Debilitar a consciência moral dos indivíduos a pretexto de reformar a sociedade é tornar-se autor intelectual de todos os crimes — e depois, com redobrado cinismo, apagar todas as pistas. Ninguém fala com mais força e propriedade contra o pecador do que o demônio que o induziu ao pecado. O que aconteceu foi que o advento da moderna democracia modificou bastante a convivência entre os dois códigos.

Conforme vem demonstrando E. A origem dessa culpa reside no fato de que amplas faixas da classe média passaram a desfrutar de lazeres e prazeres praticamente ilimitados, sem ter de arcar com as responsabilidades políticas, militares e religiosas com que a antiga aristocracia pagava o preço moral dos seus desmandos sexuais e etílicos. Por toda parte, nas civilizações anteriores, um certo equilíbrio entre custo e benefício, entre direitos e deveres, entre prazeres e sacrifícios, era reconhecido como o princípio central da sanidade humana.

Mas como poderia ele ser conscientizado, se na mesma medida em que se abrem as portas do prazer se fecham as da consciência religiosa? Em vez de designar apenas a fórmula verbal de uma essência ou ente, significava o esquema mental de um plano a ser realizado.

Desde logo, os atributos de justiça e injustiça só se aplicam aos entes reais capazes de agir. É uma figura de linguagem, uma metonímia. Para distribuir poderes, é preciso primeiro possuí-los: o futuro distribuidor de poderes tem de tornar-se, antes, o detentor monopolístico de todo o poder.

Por quê? Se cometesse a asneira de investi-lo no empobrecimento de quem quer que fosse, estaria investindo na sua própria falência. A quase totalidade do lucro é reinvestida no mesmo ou em outros negócios. Uma parte ínfima ele pode gastar em benefício próprio e da família. Em geral, contenta-se com muito menos. Um político de esquerda é um sujeito que ganha a vida tentando jogar os empregados contra os empregadores. É um investimento. Vive disso. O governador Olívio Dutra, como qualquer outro político de esquerda, tem uma consciência moral deformada por um uso falso da linguagem.

Custa vergonhas e humilhações à mente altiva. Mas é o preço da maturidade. O mesmo, é claro, aplica-se, mutatis mutandis, aos militantes do fascismo ou de qualquer outra proposta de mudança radical da sociedade.

O poder é domínio sobre os homens. É uma das mais atrozes perversidades da nossa época que o homem imbuído do simples desejo de enriquecer seja considerado um tipo moralmente lesivo e quase um criminoso, enquanto o aspirante ao poder político é visto como um belo exemplo de idealismo, bondade e amor ao próximo.

Um século que pensa assim clama aos céus para que lhe enviem um Stalin ou um Hitler. Lenin No Brasil, qualquer sujeito que tenha algum dinheiro no bolso — e principalmente na bolsa — acredita-se por isso um conhecedor do mundo, um dominador dos segredos mais íntimos da mente humana, da história, da sociedade e do poder.

Por mais patente que seja aos observadores de fora, a periculosidade dessa causa permanece invisível para aquele que a subsidia.

Ele vem e toma as suas propriedades instantaneamente, diretamente, sem precisar de uma sentença judicial para isso. A propriedade, que nos tempos normais faz corajosos os seus detentores, torna-se, nos tempos de perigo iminente, a causa de sua covardia egoísta. Sir Walter Scott, que a maioria só conhece como romancista, mas que foi também excelente historiador, escreveu isso na sua monumental Life of Napoleon Buonaparte, Emperor of the French, with A Preliminary View of the French Revolution.

Antonio Gramsci deu receitas precisas de como apressar o suicídio coletivo dos ricos. Em nenhum outro lugar foram aplicadas com tanto sucesso como no Brasil.

A esquerda é assim. Cada impulso que sentiam era vivenciado como uma ordem divina. Eis como as mais baixas condutas podem coincidir com as mais altas alegações de nobreza e santidade. Foi assim que caiu Nixon. Foi assim que caiu Collor. Quando o encargo de julgar moralmente a sociedade recai precisamente sobre aqueles indivíduos que se tornaram os mais incapazes de julgar-se a si mesmos, o resultado é esse: uma moral invertida, uma antimoral de perversos e celerados afirma-se com a intransigência de um neomoralismo mais rígido e intolerante do que todos os moralismos conhecidos.

O normal seria que, em tais circunstâncias, a esquerda fosse responsabilizada pelo desastre. Wilhelm Reich, consistia em que homossexualismo, sadomasoquismo, fetichismo etc. Qual foi o resultado? Reconheceram humildemente que reforçar o sentimento de identidade racial era alimentar preconceitos e conflitos de raça? Celebraram o aumento da hostilidade racial como um progresso da democracia.

Em resposta, que faz a esquerda? Admite que errou? A esquerda confessa que errou? Sabem perfeitamente aonde tudo isso leva — mas sabem também que ninguém os apoiaria se proclamassem em voz alta o que desejam. Voltei a falar de Scruton, à base de uma vez por ano, de até Alguns, é claro, liam esses autores em segredo, como quem se escondesse no banheiro com um livreto de Carlos Zéfiro. Escreve para matar. O euro, paciente terminal, que o diga. Seriam lidos, se tanto, como documentos históricos de um passado desprezível.

O traço distintivo das teorias a que me refiro é a ambiguidade congênita. Mas a teoria mais capaz de explorar em proveito próprio tudo o que a desminta é, com toda a certeza, o marxismo. Tudo aí tem duas caras, cada uma exibida ou encoberta, em rodízio, conforme as conveniências do momento. Alguns exemplos próximos de nós ilustram o jogo com ainda mais clareza.

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