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postado por Mamie

VIGIAR E PUNIR EPUB

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    É um estudo científico, documentado, sobre a evolução histórica da legislação penal e respectivos métodos coercitivos e punitivos, adotados pelo poder. Vigiar e Punir – Nascimento da Prisão – Michel Foucault. Leitura Dinamica Ad · Baixar em epub Baixar em pdf Baixar em mobi Ler Online. Descrição. 31 de jan de Baixar Livro Vigiar e Punir Michel Foucalt - XXXXXXXX em PDF, ePub e Mobi ou ler online.

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    Rio de Janeiro: Imago, Queria ter certeza de que o enterrariam sete palmos abaixo da terra numa tumba bem lacrada. As investigações que realizou sobre a arqueologia do saber e sobre a ordem do discurso constituem a base de seu pensamento filosófico. Filmes, livros, indicações e muito mais! Ele queria ensinar a gente a viver. Ele conheceu umas gurias novinhas do Sul, libidinosas, traficas, e virou escravo das duas. Ele era muito bonito, daqueles caras que sabem jogar sinuca, futebol, peteca, pôquer, e ganham todas sem se esforçar. Biografias e Memórias.

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    Michel Foucault — Internet Encyclopedia of Philosofers. Michel Foucault — …. Routledge: Edward N. Zalta: Michel Foucault: a filosofia como modo de vida. Compartilhe agora! Clique para compartilhar no Facebook abre em nova janela Clique para compartilhar no Twitter abre em nova janela Clique para compartilhar no Telegram abre em nova janela Clique para compartilhar no WhatsApp abre em nova janela Curtir isso: Curtir Carregando Portanto vamos avante. Comecei a ler esse material hoje.

    Estou amando. Amei ter acesso a esse material. Tenho 58 anos. Técnico em Eletrotécnica. Udesc SC. Amei estes materiais sobre Foucault.

    Gostaria de entender profundamente este autor pelo que ele representa nos nossos tempos. Um pós moderno pós estruturalista. Vou indicar este site. Gosto muito de ler e escrever, logo vou ler esses livros. Trabalho excelente…. Muito bom. Parabéns pela iniciativa de reunir esse material. Muito gratificante ver tal solidariedade nesse feroz mundo acadêmico. Gracias Vinicius. La verdad es que siempre intenté leer las obras M. Foucault peero, no soporto y llego hasta la 5ta.

    Este blog es buenísimo, ayuda mucho a entenderlo. Ahora, de nuevo, gracias Sr. Margareth Rago [7]. As fases do pensamento de Foucault As suas influências culminaram em seus estudos naquilo que é costumeiro chamar de fase arqueológica, fase genealógica e na ética. Justiça vs. Clique abaixo e veja!

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    Ora, eu tenho corrido mundo, sei que marosca é essa de ordens superiores. O faroleiro relutou uns instantes, mas corrompeu-se mais depressa do que esperei. De quinta-feira em diante. Prometi-lho caladíssimo, e tornei ao cais à cata de Dunga. E como me informasse do faroleiro: — É Gerebita, de apelido ganho no Purus, onde serviu como grumete.

    Ao depois se meteu na lanterna, por amor de amores, o alarve, como se faltassem elas por aí, e bem catitas. O demo que as tolha que eu E foi pelas mulheres além, a dar de rijo, com razões nem melhores nem piores que as de Schopenhauer. Saltei num rude atracadouro de difícil abordagem e encontrei o faroleiro ocupado em polir os metais da lanterna. Gerebita deu trela à língua e falou do ofício com melancólica psicologia.

    Boazinha, hein? É a cegueira. Navegam com a Morte no leme. Pouco antes de minha entrada para aqui houve desgraça. Ali mora um anequim,[11] bichanca de tamanho do diabo, que gosta de virar canoas. Passa um pescador atolambado, vê aquilo de longe. É anequim! Toda gente pega, feito mulher velha. Mas dizer que um tal mora aqui ou ali, isso é embroma. E na sua pinturesca linguagem de marítimo, que às vezes se tornava prodigiosamente técnica, narrou-me toda a história daquelas paragens malditas.

    Vi de relance que eram inimigos. É Cabrea. Mau companheiro, mau homem Percebi que mascava uma confidência difícil. Mas a confidência denunciou-se apenas. Mas, qual! Estranha criatura, o homem! Seria um bocado de mundo a lenir as agruras do emparedamento. Interpelei-o; Gerebita retrucou-me de modo enviesado. Estas coisas de famílias é bom que fiquem com a gente.

    Suas feições endureceram. E mais torvo ainda me pareceu quando Cabrea entrou sobraçando um balaio de pescado. Desde esse dia nunca mais o faroleiro abandonou o tema da loucura do outro. Demonstrava-me de mil maneiras. Deve o outro deixar-se matar como carneiro ou tem o direito de atolar a faca na garganta do bicho? Era por demais clara a consulta. Deixei-me ficar à janela a ver cair a noite.

    Nada mais triste do que as ave-marias no ermo. Correram dias. Gerebita tornara-se enfadonho. Aferrado à ideia fixa da loucura de Cabrea, só cuidava de demonstrar-me os seus progressos. Velas, poucas alvejavam, tirante barquinhas de pescadores. Como se casa bem com o mar o barco de vela! Escumas, corvetas, pequeninos cutters, fragatas, lugres, brigues, iates Progresso amigo, tu és cômodo, és delicioso, mas feio Que fizeste da coisa linda que é a vela enfunada?

    O fumo da hulha sujou a aquarela maravilhosa que desde Hanon e Ulisses vinha o veleiro pintando sobre a tela oceânica De Cabrea? A conversa parou aí. Gerebita chupava cachimbadas nervosas, fechado de sobrecenho como quem rumina uma ideia fixa.

    Deixou-me, e logo em seguida subiu. Como anoitecesse, recolhi-me pouco depois e deitei-me.

    Michel Foucault: biografia, pensamento e livros

    Dormi e sonhei. Sonhei um sonho guinholesco, agitadíssimo, com lutas, facadas, o diabo. Lembro-me de que, agredido por um facínora, desfechei contra ele cinco tiros de revólver; as balas, porém, grudaram-se à parede e deram de ressoar dum modo que me despertou. Mas acordado continuei a ouvir o mesmo barulho, vindo de cima, da lanterna. Salto da cama e aguço o ouvido: barulho de luta.

    Corro à escada, galgo-a aos três degraus e no topo esbarro com a porta fechada. Escuto: era de fato luta. Trevas absolutas. Nenhuma réstia de luz coava para a escada. Permanecia eu nessa dubiedade, quando choque violento escancarou-me a porta.

    Senti nas pernas um tranco — e rodei escada abaixo de cambulha com dois corpos engalfinhados. Atirei-me à luta em auxílio de Gerebita. Pela primeira vez lhe ouvi a voz — e hoje noto que nada nela denunciava loucura.

    No momento pensei diversamente, se é que pensei alguma coisa. Gerebita, com grande assombro meu, também me repeliu. Eu só! E começa aqui o horror Durou muito aquilo? Cabrea grugulejou uns roncos que se casaram com o arquejar do peito de Gerebita, e a luta esmoreceu.

    Impossível pintar o hediondo aspecto de Cabrea com a carótida estraçalhada a dente, caído num lago de sangue. Os meus transes diante daqueles corpos martirizados, àquela hora da noite — daquela terrível noite negra como esta e sacudida por um vento do inferno! Foi defesa. Nesse mesmo dia veio buscar-me Dunga. Mal a Gaivota largou, narrei-lhe a morte do faroleiro, romanceando-a: Cabrea, louco, a despenhar-se torre abaixo e a sumir-se para sempre no seio das ondas.

    Dunga, assombrado, susteve no ar os remos. E louco? Desde que furtou Maria Rita Que ele seduziu, homessa. Abri a minha maior boca e arregalei o que pude os olhos. Sei porque sei, como sei que aquela gaivota que ali vai é uma e que este mar é mar. Maria Rita era uma morena de truz, perigosa como o demo. E vai ela, a songuinha, mal o homem saía no Purus, metia em casa Cabrea.

    E nesse jogo viveram até que um dia fugiram juntos para outras terras. Mas entrou para o farol, o que é também um modo de morrer pro mundo. Pois bem. Cabrea que também andava descrente da vida porque Rita lhe fugira com terceiro. Coisas do mundo. Eis como O engraçado arrependido Francisco Teixeira de Souza Pontes, galho bastardo duns Souza Pontes de trinta mil arrobas afazendados no Barreiro, só aos trinta e dois anos de idade entrou a pensar seriamente na vida.

    Para arremedar gente ou bicho, era um gênio. Também grunhia de porco, cacarejava de galinha, coaxava de untanha, ralhava de mulher velha, choramingava de fedelho, silenciava de deputado governista ou perorava de patriota em sacada. Descia outras vezes à pré-história.

    Na rua, se pilhava um magote de amigos parados à esquina, aproximava-se de mansinho e — nhoc! Bastava sua presença. E se entreabria o bico, Nossa Senhora! E se o pândego se inocentava, com cara palerma: — Mas que estou fazendo?

    Se nem abri a boca Aquele recibo sem selo mortificou seu tanto ao nosso pândego; mas a conta subia a quinze mil-réis — valia bem a pelotada. Depois vieram outros e outros, estes fincados de leve, aqueles até a cabeça. Tudo cansa. Reagindo, tentou Pontes a seriedade.

    Pontes sério mudava de tecla, caía no humorismo inglês. Se antes divertia como o Clown, passava agora a divertir como o Tony. O estrondoso êxito do que a toda a gente se afigurou uma faceta nova da sua veia cômica verteu mais sombras na alma do engraçado arrependido. Um dia, bem maturados os planos, resolveu mudar de vida.

    Foi a um negociante amigo e sinceramente lhe expôs os propósitos regeneradores, pedindo por fim um lugar na casa, de varredor que fosse. É de primeiríssima! Você me arruína os fígados, homem! Este Pontes tem cada uma Atarantado e seriíssimo, Pontes tentou desfazer o engano. O negociante desabotoou o cós da calça.

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    Olha, Pontes, você Pontes largou-o em meio da frase e se foi com a alma atenazada entre o desespero e a cólera. Era demais. Impunha-lhe uma comicidade eterna? Correu outros balcões, explicou-se como melhor pôde, implorou. Barrado no comércio, voltou-se para a lavoura.

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    Procurou um velho fazendeiro que despedira o feitor e expôs-lhe o seu caso. Depois de ouvir-lhe atentamente as alegações, conclusas com o pedido do lugar de capataz, o coronel explodiu num ataque de hilaridade. É muito boa! Eu sempre digo: graça como o Pontes, ninguém!

    E berrando para dentro: — Maricota, venha ouvir esta do Pontes. Nesse dia o infeliz engraçado chorou. Estudou a possibilidade da agência do correio, dos tabelionatos, das coletorias e do resto. Vai, e avisa-me da morte do homem sem esperar que esfrie o corpo.

    Restava apenas a segunda parte. Como desembaraçar o caminho daquela travanca? Um esforço o mataria? Pois bem, Souza Pontes o levaria a esse esforço! Ora, eu sei fazer rir Em que código fazer rir é crime? Em primeiro era mister aproximar-se do major, homem recolhido consigo e pouco amigo de lérias; insinuar-se-lhe na intimidade; estudar suas venetas e cachacinhas até descobrir em que zona do corpo tinha ele o calcanhar de aquiles.

    Também ia a negócios alheios, pagar cisas, extrair guias, coisinhas; fizera-se muito serviçal para os amigos que traziam negócios com a fazenda. Que diligência! Que finura! Que tato! Advertindo certa vez o escrevente, o major puxou aquela diplomacia como lembrete.

    Aprenda com o Pontes, que tem jeito para tudo e inda por cima tem graça. Nesse dia convidou-o para jantar. A fortaleza abria-lhe as portas. Toda a sua sagacidade enfocava no fito de descobrir o fraco do major. Este morre por pilhérias fesceninas de frades bojudos.

    O brasileiro adora a chalaça onde se põe a nu a burrice tamancuda de galegos e ilhéus. Mas o major? Qual o seu gênero? Era preciso, porém, que viessem juntos. Separados, negavam fogo. Esquisitices do velho. E quando o lance cômico chegava, ele ria com gosto, abertamente, embora sem exagero capaz de lhe destruir o equilíbrio sanguíneo.

    E daí? Mister John apitou? Tinha a psicologia por si — e teve também por si a quaresma. Certa vez, findo o Carnaval, reuniu o major os amigos em torno a uma enorme piabanha recheada, presente dum colega. O cheiro vindo da cozinha, valendo por todos os aperitivos de garrafaria, punha nas caras um enternecimento estomacal.

    Quando o peixe entrou, cintilaram os olhos do major. Pescado fino era com ele, inda mais cozido por Gertrudes. Vatel o assinaria com a pena da impotência molhada na tinta da inveja — disse o escrevente, sujeito lido em Brillat-Savarin e outros praxistas do paladar.

    Ninguém se atrevia a quebrar o silêncio da bromatológica beatitude. Pontes pressentiu oportuno o momento do golpe. Trazia engatilhado o caso dum inglês, sua mulher e dois frades barbadinhos, anedota que elaborara à custa da melhor matéria cinzenta de seu cérebro, aperfeiçoando-a em longas noites de insônia. Negasse fogo e, estava resolvido, metia duas balas nos miolos.

    Reconhecia impossível manipular-se torpedo mais engenhoso.

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    E com infinita naturalidade, pegando como por acaso uma garrafinha de molho, pôs-se a ler o rótulo. Inebriado pelos amavios do peixe, o major alumiou um olho concupiscente, guloso de chulice. A patifaria deve ser marca x. E, mastigando maquinalmente, absorveu-se no caso fatal.

    A anedota correu capciosa pelos fios naturais até as proximidades do desfecho, narrada com arte de mestre, segura e firme, num andamento estratégico em que havia gênio. Do meio para o fim a maranha empolgou de tal forma o pobre velho que o pôs suspenso, de boca entreaberta, uma azeitona no garfo detida a meio caminho.

    Pontes vacilou. Pressentiu o estouro da artéria. Por uns instantes a consciência brecou-lhe a língua, mas Pontes deu-lhe um pontapé e com voz firme puxou o gatilho. O major Antônio Pereira da Silva Bentes desferiu a primeira gargalhada da sua vida, franca, estrondosa, de ouvir-se no fim da rua, gargalhada igual à de Teufalsdröckh diante de Jean Paul Richter. Escondeu-se em casa, trancou-se no quarto, bateu dentes a noite inteira, suou gelado.

    Os menores rumores retransiam-no de pavor. Um mês depois descobriram-no pendente duma trave, com a língua de fora, rígido. Enforcara-se numa perna de ceroula. Quando a notícia deu volta pela cidade, toda gente achou graça no caso. O galego do armazém comentou para os caixeiros: — Vejam que criatura!

    Até morrendo fez chalaça. Enforcar-se na ceroula!

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    Esta só mesmo de Pontes A colcha de retalhos — Upa! Cavalgo e parto. Por estes dias de março a natureza acorda tarde. Agora, uma porteira.

    Ali, a encruzilhada do Labrego. Tomo à destra, em direitura ao sítio de José Alvorada. Três alqueires, só no bom. Talvez quatro. Descontadas as bandeiras[15] que o porco estraga e o que comem a paca e o rato Que frescura! Lembra os pés de avenca viçados nas grotas noruegas. Olhem como se acanhou! De olhos baixos, finge arrumar a rodilha. Como a vida no mato asselvaja estas veadinhas! Foram rareando as idas à cidade e ao cabo de todo se suprimiram.

    Depois que lhes nasceu a menina, rebento floral em anos outoniços, e que a geada queimou o café novo — uma tamina, três mil pés —, o velho, amuado, nunca mais espichou o nariz fora do sítio. Costumava dizer: mulher na roça vai à vila três vezes — uma a batizar, outra a casar, terceira a enterrar. Fora uma vez à vila com vinte dias, a batizar.

    Que lhe valeu a ela ler e escrever que nem uma professora, se desde que casou nunca mais teve jeito de abrir um livro? Na roça, como na roça. Deixei a menina às voltas com a rodilha e embrenhei-me por um atalho conducente à morada. Que descalabro! Tapera quase e, enluradas nela, o que é mais triste, almas humanas em tapera. Bati palmas. Apareceu a mulher. Foi queimar um mel na maçaranduva do pasto.

    Apeie e entre. Toda rugas na cara — e uma cor Estranhei-lhe aquilo. Estômago, fígado, uma dor aqui no peito que responde na cacunda. Casa velha, é o que é. Criei minha neta e inda lavo, cozinho e coso. Coso, sim! Mas eu? Pobre de mim! Só admiro ainda estar fora da cova Aí vem Zé. Chegava Alvorada. Ao ver-me abriu a cara.

    É só melado. Bonito, hein? Estava difícil, num oco muito alto e sem jeito. Mas sempre tirei. É mel-de-pau.

    Pôs os olhos no meu cavalo. Bom bicho! Eu sempre digo: animais aqui no redor, só este picaço e a ruana do Izé de Lima. O mais é eguada de moenda. Neste momento entrou a menina de pote à cabeça. Ao vê-la o pai apontou para a cuia de mel. Perdi, paguei. Que aposta? Vinha passando um bando de maritacas. Eram nove. Ela ganhou o doce. Doce da roça mel é. Em se lhe dando corda, ressurgia nele o tagarela da cidade. Expus-lhe o negócio. Alvorada enrugou a testa; refletiu um bocado, de queixo preso.

    Desde que caí daquela amaldiçoada ponte do Labrego, fiquei assim como quebrado por dentro. Lembra-se da empreitada do ano retrasado?

    Pois saí perdendo. A velhinha sentara-se à luz da janela e, abrindo uma caixeta, pusera-se a coser, de óculos na ponta do nariz. Aproximei-me, admirativo. Com setenta anos! Sorriu, lisonjeada. E isto aqui tem coisa.

    Dos vestidinhos dela vou guardando cada retalho que sobeja e um dia os coso. Veja que galantaria de serviço Metida na cozinha, percebi que nos espiava por uma fresta. Apesar disso acho que deve pensar um bocado. Mas hoje Transcorreram dois anos sem que eu tornasse aos Periquitos. Era fatal a dor que respondia na cacunda.

    Desconfiem das sonsas O incidente ficou a azoinar-me o bestunto. Que golpe! Desta feita ia-se-lhe a rijeza de cerne. Setembro entumecia gomos em cada arbusto. Nenhuma neblina. A paisagem desenhava-se nítida até aos cabeços dos morros distantes. Por amor à simetria, montava eu o mesmo picaço.

    Transpus a mesma porteira. Atalhei pelo mesmo trilho. Mais uns passos e a tapera antolhou-se-me, deserta. Só os mamoeiros subsistiam, mais crescidos, sempre apinhados de frutos. Três vezes repeti o apelo. Por fim surgiu dos fundos uma sombra acurvada e trêmula. Zé fora à vila, vender a sitioca para mudar de terra. Sozinha estou em toda parte. Morreu-me tudo, a filha, a neta Sentei-me, com um nó na garganta.

    Parece que foi ontem que estive aqui. Apesar das doenças, iam vivendo felizes. Morreu-me a filha, mas restava a neta — que era duas vezes filha e o meu consolo.

    Desencaminharam a pobrezinha Agora, que mais? Só peço a Deus que me retire, logo e logo. Relanceei um olhar pela sala vazia. A caixeta de costura inda estava sobre a arca no lugar de sempre. Meus olhos pousaram ali, marasmados. Tirou de dentro a colcha inacabada, contemplou-a longamente. Ninguém imagina o que é para mim esta prenda. Aqui leio a vidinha dela desde que nasceu. Os dias e as noites que passei ao pé dela, a contar histórias! Como gostava da Gata Borralheira!

    Depois: — Este é novo. Ficou um vestido muito assentadinho no corpo, e galante, mas pelas minhas contas foi o culpado do Labreguinho engraçar-se da coitada. Hoje sei disso. Naquele tempo de nada suspeitava.

    Era, quer ver qual? Era este de pintas vermelhas, repare bem. Foi o derradeiro que fiz. Com ele fugiu Calou-se, a lacrimejar, trêmula. Que quadro imensamente triste, aquele fim de vida machucado pela mocidade louca! E ficamos ambos assim, imóveis, de olhos presos à colcha. Ela por fim quebrou o silêncio.

    Um mês depois morria. Sobretudo no bairro dos Porungas, onde assistia Pedro Porunga, mestre monjoleiro de larga fama, fungavam-se à conta do engenho risos sem fim. Levantara Nunes uma paca, certo domingo; mas ao dobrar o morro a bicha esbarrou de frente com um Porunguinha que casualmente lenhava por ali. Até aí nada. Mas comeram-na, sem ao menos mandarem um quarto de presente ao legítimo dono.

    Legítimo, sim, porque, afinal de contas, aquela paca era uma paca de nomeada. Escapulia sempre. Paca velha e matreira tem sempre a biografia na boca dos caçadores. Paca muito conhecida, portanto; moradora em suas terras. Paca de Nunes, homessa. Ora, justamente no dia em que, numa batida feliz, ele a apanhara desprevenida, fazer aquilo o Porunguinha? Haviam de pagar! Veio daí a malquerença. Pertencia Nunes à classe dos que decaem por força de muita cachaça na cabeça e muita saia em casa.

    Filho homem só tinha José Benedito, de apelido Pernambi, um passarico desta alturinha, apesar de bem entrado nos sete anos. A princípio com caretas que muito divertiam o pai, o engrimanço pegou lesto no vício. Também usava faca de ponta à cinta. Do outro lado tudo corria pelo inverso. Era natural que prosperasse, com tanta gente no eito. Plantava cada setembro três alqueires de milho; tinha dois monjolos, moenda, sua mandioquinha, sua cana, além duma égua e duas porcas de cria.

    Teve égua, mas barganhou-a por um capadete e uma espingarda velha. Comido o porquinho, sobrou do negócio o caco da pica-pau, dum cano só e manhosa de tardar fogo.

    Capado, nenhum. Galinhada escassa. Que preasse. Certa vez contaram ao Nunes que Pedro Porunga trazia negócio duma besta arreada. Besta arreada, o Porunga! Doeu-lhe aquilo no fundo da alma. Era atrepar demais. E entrou-se, desde aí, de grandes atarefamentos. Quem sabe?! Planeava Nunes grandes coisas, roça de três alqueires, conserto da casa, monjolo Ché, que esperança!

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    Nunes, metido em brios, roncou: — Boto, mulher, boto monjolo, boto moenda, boto até moinho! Hei de fazer a Porungada morder a munheca de inveja. Vai ver! Pedro Porunga soube logo da bravata. Riu-se e profetizou: — Eh! O ano correu bem. Só havia prós.

    Carecia, pois, de armar monjolo. Desdobrado em farinha o milho, vinham dobrados os lucros. E Nunes maginava Empreito o serviço com o compadre Teixeirinha da Ponte Alta.

    É coisa de louco! Pois o compadre nem braço tem Esta troada era o argumento decisivo de Nunes nas relações familiares. Sabiam por dolorosa experiência pessoal que o ponto acima era o porretinho de sapuva. Só a um bêbado como o Nunes bacorejaria a ideia de meter a monjoleiro um taramela daqueles, maneta e, inda por cima, cego duma vista.

    Mas era compadre e acabou-se. Coçava lentamente a cabeça, pitava enormes cigarrões, muito absorto, com os olhos no milharal e o sentido em coisas futuras. Decidiu-se, por fim. Só restava resolver o problema da madeira. Boa peça!

    Dito e feito. Mal rompeu o dia, os Porungas, advertidos pela ronqueira, saíram a sondar o que fora. Deram logo com a marosca, e Pedro, à frente do bando, interpelou: — Com ordem de quem, seu Deixo a sua pra aí! Pedro continha-se a custo. Esquentou o bate-boca. Houve nome feio a valer. O mulherio interveio com grande descabelamento de palavrões. O guampudo conheceu a arruda pelo cheiro! E assombrou o velho com muitos lances heroicos, quebramentos de cara, escoras de três e quatro, o diabo.

    A molhadela da garganta excedeu a quanta bebedeira tinham na memória. Com a derradeira Maria pendurada do seio magro, a mulher olhava para aquilo sacudindo a cabeça, a cismar Esvaídos os fumos da pinga, tornaram no dia seguinte à peroba, muito acamaradados. A cachaça cimentara o compadresco antigo, e a feitura do monjolo teve início com grande quebradeira de corpo. Nunes passava os dias na obra, vendo o compadre desbastar a madeira com um braço só. Pasmava daquilo, e do ajutório que ao braço perfeito dava o toco aleijado.

    O velho Maneta sabia casos e casos, que Nunes respondia com outros, sempre tendentes a patentear a ruindade dos Porungas.

    E tomando entre os dedos o meio do cordel — plaf —, chicoteava a madeira, riscando nela um traço negro. Greaves Quanto custou?

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    Enquanto isso, muito desajeitadamente ia o Maneta escavando o cocho a machado e enxada. Depois rasgou as furas da haste e afeiçoou a munheca. Escava que escava, em três dias pô-lo de banda, concluso. Dormi no estaleiro quantas noites! Homem, fui um bicho do mato. E têm alma, dizia ele, porque sentem a dor e choram. Ora pois têm alma, porque neste mundo tudo é criatura de Deus. É o pau de feitiço.

    Estava cortando um guamerim quando, de repente, soltou um grito. Acode que acode, o moço estava com o peito varado até as costas.

    Como foi? Ninguém entendeu aquilo. Como este um, quantos casos? Era para ver se o feitiço estava solto ou preso, e precatar-se. Estava pronto o monjolo. Jubiloso, via Nunes quase realizado o primeiro sonho das futuras grandezas. Faltava apenas o assentamento, que é pouco — e ele batia tapas amigos na peroba-vermelha. Mansinha, hein? Recolheram cedo nesse dia para solenizar o feito à custa dum ancorote de cachaça, que esvaziaram a meio. O cocho despejou a aguaceira — chóó! Nunes pulava de alegria.

    Queria mais. Nunes inda a manteve uns segundos alçada, esperando o tiro. Vamos ver se o ancorote nega também. Entrou o outono, refrescado, limpo. Amarelaram as folhas do milharal, as espigas penderam, maduras. Começou a quebra. O engenho provou mal. Fora escavado em madeira ventada. Consumiu dias em luta surda contra as manhas do mal engonçado.

    Mas a peste do mostrengo respondia a cada arranjo com uma reincidência de desalentar. Que iria à Ponte Alta rachar o compadre a foice; que lhe vazava a outra vista; que Num desses desabafos a tola da mulher meteu a colher torta no meio.

    Toma, excomungado do inferno! Aprende a fazer monjolo, porco sujo! Nunes, porém, melhorou consideravelmente com o derivativo. Mundificou-se da bílis. A nova de tais sucessos chegou à Porungada. Voltou uma hora depois espremendo risos fungados.

    Disse comigo: roncar, ele ronca, eh, eh! Fui chegando. Nunes, jururu, estava debulhando milho na porta. Quando me viu entreparou, amode que assombrado. O que foi, foi. Ele relanceou os olhos pro lado da ronqueira — eh, eh! Peguei de prosa. Ele foi respondendo. Conversava sem graça, amarradinha.

    Por fim especulei: — E o monjolo, vizinho, ficou na ordem? Nunes amarelou que nem esta folha! Eu fui. Nossa Virgem! Aquilo nunca foi monjolo, nem aqui nem na casa do diabo! Só se vê amarrilhos de cipó e espeques e macacos. A haste tem nove palmos e o cocho a mó que tem dez! Os Porunguinhas babavam. Ronca que nem uma trumenta. Mas, socar? O boi soca! Nem três litros rende por dia. Homem, gentes, aquilo é coisa que só vendo! Era um nunca se acabar de troças e pilhérias de toda ordem.

    Inventavam traços cômicos, exageravam as trapalhices do mundéu. Sobre as linhas gerais debuxadas pelo velho, os Porunguinhas iam atando cada qual o seu buquê, de modo a tornar o pobre monjolo uma coisa prodigiosamente cômica. A palavra ronqueira entrou a girar nas vizinhanças como termo comparativo de tudo quanto é risível ou sem pé nem cabeça. Aos ouvidos de Nunes foram bater tais rumores. O orgulho, muito medrado no período dos sonhos de grandeza, murchara-lhe como fruta verde colhida antes do tempo.

    Para acalmar a bílis Nunes dobrou as doses de cachaça. A mulher amanhava a casa num grande desconsolo da vida, esmolambada, sem mais esperanças de arranjo para aquele homem. Sempre rentando o pai, sorníssimo, Pernambi parecia um velhinho idiota. Brinquinho desnorteara. Sentado nas patas traseiras olhava, inclinando a cabeça, ora para um, ora para outro, sem saber o que pensar da sua gente.

    E assim, meses. Afinal, veio a desgraça. Certo dia soube Nunes que o José Cuitelo da Pedra Branca, outro compadre, pusera nome a uma égua lazarenta de Ronqueira. Bebe com teu pai, meu filho. O resto da garrafa soverteu-se no bucho do caboclo. Nunes estirou-se ao sol para dormir. Era um dia feio de agosto. Céu turvo do fumo das queimadas. Sol de cobre, sem brilho, a modorrar no ocaso. Folhinhas carbonizadas a descerem lentas do alto, regirantes. Transcorrida uma hora o bêbedo acordou, relanceou em torno os olhos mortiços.

    Uma das pequenas saiu no encalço do menino. Os olhos de Nunes a custo se abriam; sua cabeça oscilava, como se lhe houvessem desossado o pescoço. Da boca escorria-lhe baba, e molhadas nela as palavras vinham vagas, mal atadas. Depois novos gritos — gritos em coro —, gritos de desespero. Nunes soergue-se, amparado ao portal.

    Ninguém lhe responde. Mas no monjolo recrudesce a grita. É tua obra, cachaceiro do inferno! É a tua pinga, homem à toa, esterco imundo! Nunes alcança o monjolo com dificuldade. E topa num quadro horrendo.

    Para fora, pendentes, duas pernas franzinas — e o monjolo impassível, a subir e a descer, chóó-pan, pilando uma pasta vermelha de farinha, miolos e pelanca Entre rugidos de cólera o louco arremessava golpes tremendos contra o engenho assassino.

    Outra na haste — rebenta demônio! E pan, pan, pan — dez, vinte, cem machadadas como nunca as desferiu derrubador nenhum com tal rijeza de pulso. Cavacos saltavam para longe, róseos cavacos da peroba assassina. E lascas. E achas A humanidade é sempre a mesma cruel chacinadora de si própria, numerem-se os séculos anterior ou posteriormente a Cristo.

    Mudam de forma as coisas; a essência nunca muda. Como prova denuncia-se aqui um avatar moderno das antigas torturas: o estafetamento. A diferença é que estas engenharias matavam com certa rapidez, ao passo que o estafetamento prolonga por anos a agonia do paciente. O ingênuo vê no caso honraria e negócio. É honra penetrar na falange gorda dos carrapatos orçamentívoros que pacientemente devoram o país; é negócio lambiscar ao termo de cada mês um ordenado fixo, tendo arrumadinha, no futuro, a cama fofa da aposentadoria.

    Note-se aqui a diferença entre os ominosos tempos medievos e os sobre-excelentes da democracia de hoje. O absolutismo agarrava às brutas a vítima e, sem tir-te nem habeas corpus, trucidava-a; a democracia opera com manhas de Tartufo, arma arapucas, mete dentro rodelas de laranja e espera aleivosamente que, sponte sua, caia no laço o passarinho.

    Chama-se a isto — arte pela arte Só ao cabo de um mês ou dois é que entra a desconfiar; desconfiança que por graus se vai fazendo certeza, certeza horrível de que o empalaram no lombilho duro do pior matungo das redondezas, com, pela frente, cinco, seis, sete léguas de tortura a engolir por dia, de mala postal à garupa.

    Eis as puas do aparelho de tormento, as tais léguas! Quem viaja, feito o percurso, chega e é feliz. Vencidas as seis suponhamos um caso em que sejam só seis renascem na sua frente de volta. É fazê-las e desfazê-las. Com um vintém paga-lhe trezentos e trinta metros de suplício.

    Vem a sair a sessenta réis o quilômetro de martírio. Dor mais barata é impossível. O estafeta entra a definhar de canseira e fome. Além das calamidades fisiológicas, econômicas e sociais, chovem-lhe em cima as meteorológicas. Se chove, de nenhuma gota se livra. O lombo delas é todo uma chaga viva; as costelas, um ripado.

    Caricaturas contristadoras do nobre Equus, um dia rebentam de fome, exaustas, a meio de viagem. O estafeta toma às costas os arreios, a mala, e conclui a caminheira a pé. Certa vez o agente do correio duma cidadezinha paulista oficiou ao centro queixando-se do estafeta. Era este Biriba um caranguejo humano, lerdo de maneiras e atolambado de ideias, com dois percalços tremendos na vida — a política e o topete.