al-arabic.info
Baixe e faca o upload de arquivos para seus amigos e familiares
 

BAIXAR MUSICA TEU OLHAR BANDA SION

al-arabic.info  /   BAIXAR MUSICA TEU OLHAR BANDA SION
postado por Mamie

MUSICA TEU OLHAR BANDA SION

| Jogos

    Banda Sion - Teu olhar (Letras y canción para escuchar) - Foi no teu olhar que me encontrei / Como um rio que corre que corre para o mar / O Teu sorriso foi a. Letra e música de “Teu Olhar“ de Banda Sion. e estar sempre ao teu lado dividindo o nosso amor (REFRÃO) Pode o mundo se levantar contra o nosso amor. Aprenda a tocar a cifra de Teu Olhar (Banda Sion) no Cifra Club. A afinação dessa música está a 1/2 Tom abaixo do padrão ou seja Eb Intro: B F# E B C# B.

    Nome: musica teu olhar banda sion
    Formato:ZIP-Arquivar (MP3)
    Sistemas operacionais: iOS. Android. Windows XP/7/10. MacOS.
    Licença:Somente uso pessoal
    Tamanho do arquivo:5.55 Megabytes


    OLHAR BAIXAR BANDA SION MUSICA TEU

    Gui couto - Fiel. Nunca mais, oh bomba atômica Nunca, em tempo algum, jamais Seja preciso que mates Onde houve morte demais: Fique apenas tua imagem Aterradora miragem Sobre as grandes catedrais: Guarda de uma nova era Arcanjo insigne da paz! Le vrai visage du général Aupick, Mercure de France, Paris, Moses Gomes És Meu Filho. E desses, O Prisioneiro do Rock and Roll foi talvez o seu momento mais marcante no cinema. Pensando Em Você. Puits de Vérité, clair et noir Où tremble une étoile livide, Un phare ironique, infernal, Flambeau des grâces sataniques, Soulagement et gloire uniques, — La conscience dans le Mal! Caso seja para dizer, viva o musical! Dedalus, erguendo a cabeça do osso, perguntou: — E que fizeste tu, John?

    Letra e música de “Teu Olhar“ de Banda Sion. e estar sempre ao teu lado dividindo o nosso amor (REFRÃO) Pode o mundo se levantar contra o nosso amor. Aprenda a tocar a cifra de Teu Olhar (Banda Sion) no Cifra Club. A afinação dessa música está a 1/2 Tom abaixo do padrão ou seja Eb Intro: B F# E B C# B. Foi no teu olhar que me encontrei / Como um rio que corre que corre para o mar / O Teu sorriso foi a alegria que procurei / Caminhando a muito tempo e em. Venha ouvir Teu olhar, O Teu Nome Exaltarei, Cicatrizes e muitas outras músicas!. Teu Olhar - Banda Sion Letra da música | Foi no teu olhar que me encontrei Como um rio que corre que corre para o mar O Teu sorriso foi a ale.

    Gravadoras Gravadoras. Ano Ano Pesquisar Limpar. Busca avançada. A Cidade Da Luz Amarela. A Luz Na Minha Voz. A Qualquer Tempo. Além Paraíso. Alma De Balada. Amor Pra Sempre. Andarilho De Luz. Anjo Bom. Aqui No Rio. As Quatro Estações de Vega. Até O Dia Clarear. Até Outro Dia. Barca do Amor. Beijo Solar. Belo Horizonte. Cabaré Da Sereia. Casa Encantada. Casa No Vento. Casa Vazia. Céu De Santo Amaro. Chapéu de Sol. Chapéu de Sol Sombra e Sol.

    Cidade Veloz. Cigana Lua. Cinema de Faroeste. Contato Imediato. Cores Do Dia. Criaturas da Noite. Dança do Tempo. De Sombra E Sol. Esquina de Tantas Ruas. Falso Blasé. Fantasia Barroca. Fields On Fire Queimada.

    Figura Rara. Fim De Jogo. Flores De Abril. Fome de Amor. Fotografia de Um Amor. Idade da Luz. Idos Janeiros. Ilha do Mel.

    Jardim das Delícias. Jogo das Pedras. Leia Meu Olhar. Linda Juventude. Longa Espera. Louca Aventura. Os garotos escorrem pelas colunas, 85 formigam pelas escadarias, escondem-se nos nichos. A um gesto de guignoI todas as janelas se retraem e após um minuto de rumor intenso desce uma eternidade de silêncio.

    Dança, ó desvairado! Salta como um fauno puro ou como um sapo de ouro por entre os raios do sol frenético. Suga aos cínicos o cinismo, aos covardes o medo, aos avaros o ouro E para que apodreçam como porcos, injeta-os de pureza! Agora falo eu que sou um! Pobre eu! A minha ascendência de heróis: assassinos, ladrões, estupradores, onanistas — negações do bem: o Antigo Testamento! Tu, criança! Mulher que eu amo, criança que amo, ser ignorado, essência perdida num ar de inverno.

    Rio de Janeiro, Soneto de agosto Tu me levaste, eu fui Espantei-me, confesso-te, dos brados Com que enchi teus patéticos ouvidos E achei rude o calor dos teus gemidos Eu que sempre os julgara desolados. Mas para que buscar se a forma ficou no gesto esvanecida E se a poesia ficou dormindo nos braços de outrora Orvalho, orvalho! Oh, a doce tarde! Ah, meu verso tem palpitações dulcíssimas! Deixa que a tarde envolva eternamente a face dos deuses Noite, dolorosa noite, misteriosa noite!

    Rio de Janeiro, 92 A mulher que passa Meu Deus, eu quero a mulher que passa. Seu dorso frio é um campo de lírios Tem sete cores nos seus cabelos Sete esperanças na boca fresca!

    Meu Deus, eu quero a mulher que passa! Como te adoro, mulher que passas Que vens e passas, que me sacias Dentro das noites, dentro dos dias! Por que me faltas, se te procuro? Por que me odeias quando te juro Que te perdia se me encontravas E me encontrava se te perdias?

    Eu quero-a agora, sem mais demora A minha amada mulher que passa! No santo nome do teu martírio Do teu martírio que nunca cessa Meu Deus, eu quero, quero depressa A minha amada mulher que passa!

    Que fica e passa, que pacifica Que é tanto pura como devassa Que bóia leve como a cortiça E tem raízes como a fumaça. Na rua ignorada anjos brincavam de roda Só os perfumes teciam a renda da tristeza Porque as corolas eram alegres como frutos E uma inocente pintura brotava do desenho das cores Eu me pus a sonhar o poema da hora.

    Vem, eu quero os teus olhos, meu amor! A vida Eu a senti pousada sobre a aurora Teu brando cortinado ao vento leve era como asas fremindo Teu sopro tênue era como um pedido de silêncio — oh, a tua face iluminada!

    Vento, ó branco eunuco, traz o pólen sagrado do amor das virgens Para que acorde a adormecida e ouça a minha voz Eles foram vistos caminhando de noite para o amor — oh, a mulher amada é como a fonte! A mulher amada é como o pensamento do filósofo sofrendo A mulher amada é como o lago dormindo no cerro perdido Mas quem é essa misteriosa que é como um círio crepitando no peito?

    Relembro-as brancas, leves, fenecidas Pendendo ao longo de corolas fartas. Relembro-as, vou Nunca te apartas Primavera, dos sonhos e das preces! E no perfume preso em tuas cartas À primavera surges e esvaneces. Viera de longe A Morte vive em teu ser És tu que me chamas, ou sou eu que vou a ti Criança, brincar também pelos teus parques?

    Serenidade, leva-me! Rio de Janeiro, 98 Princípio Na praia sangrenta a gelatina verde das algas — horizontes! O mar Encontrar, eis o destino. Aves brancas que desceis aos lagos e fugis! Oh, a covardia das vossas asas! É preciso ir e se perder no elemento de onde surge a vida.

    Eu — e casebres de pescadores eternamente ausentes O mar! Mas, oh, saber Saber a pureza bailando o pensamento como um gênio perfeito E na alma os cantos límpidos e os vôos de uma poesia! E em ambos, sem pânico E me pergunto: Serei vazio de amor como os ciprestes No seio da ventania?

    Ou serei o amor eu mesmo e a calma e a humildade eu mesmo No seio do infinito vazio? Mas oh, cerrar os olhos, dormir, dormir longe de tudo Longe mesmo do amor longe de mim! O que é o meu amor, ai de mim! O que é o meu Amor? Essa mulher que a cada amor proclama A miséria e a grandeza de quem ama E guarda a marca dos meus dentes nela. Essa mulher é um mundo! Saudades tuas, Maria? Perdi o prazer da hora. Mas se num momento cresce O sangue, e me engrossa a veia Maria, que coisa feia!

    Todo o meu corpo estremece E dos colmos altos, ricos Em resinas odorantes Pressinto o coito dos micos E o amor das cobras possantes.

    Cantar-te-ei brasileiro: Maria, sou teu escravo! A rosa é a mulher do cravo E tu que adoras morango! No lombo morno dos gatos Aprendi muita carícia Para fazer-te a delícia Só terei gestos exatos.

    Rio de Janeiro, Poemas para todas as mulheres No teu branco seio eu choro. Homem sou belo Macho sou forte, poeta sou altíssimo E só a pureza me ama e ela é em mim uma cidade e tem mil e uma portas. Teus cabelos recendem à flor da murta Melhor seria morrer ou ver-te morta E nunca, nunca poder te tocar!

    Mas, fauno, sinto o vento do mar roçar-me os braços Anjo, sinto o calor do vento nas espumas Passarinho, sinto o ninho nos teus pêlos Que esta mulher me devora!

    Amo-te pelo que és, pequena e doce Pela infinita inércia que me trouxe A culpa é de te amar — soubesse eu ver Através da tua carne defendida Que sou triste demais para esta vida E que és pura demais para sofrer. Diz a Amélia para preparar um refresco bem gelado E me trazer muito devagarinho.

    Liga para vovó Neném, pede a ela uma idéia bem inocente Quero fazer uma grande poesia.

    TEU SION MUSICA BANDA BAIXAR OLHAR

    Fizeram bicos de rouxinol para o meu jantar? Puseram no lugar meu cachimbo e meus poetas? Tenho um tédio enorme da vida. Rio de Janeiro, Intermédio elegíaco Elegia quase uma ode Meu sonho, eu te perdi; tornei-me em homem. Lembra-me de ti, poesia criança, de ti Que te suspendias para o poema como que para um seio no espaço. Levavas em cada palavra a ânsia De todo o sofrimento vivido.

    Queria falar em Deus, falar docemente em Deus Para acalentar tua esperança, minha avó. Queria, meus amigos Iluminaste, jovem dançarina, a lâmpada mais triste da memória… Pobre de mim, tornei-me em homem. No entanto, era mais belo o tempo em que sonhavas Que sonho é minha vida? A ti direi que és tu, Maria Aparecida! A vós, no pudor de falar ante a vossa grandeza Direi que é esquecer todos os sonhos, meus amigos.

    Ao mundo, que ama a lenda dos destinos Direi que é o meu caminho de poeta. Ah Devesse eu jamais atender aos apelos do íntimo Ah, pudesse eu jamais, me levantando Espiar a janela sem paisagem O céu sem tempo e o tempo sem memória! Oh, natureza humana, que desgraça! Se soubesses o impulso que te impele Nestas quatro paredes de minha alma Nem sei o que seria deste pobre Que te arrasta sem dar um só gemido! E escuto Acalma-te, tranqüilidade minha Choro atrozmente, como os homens choram.

    Poetas, socorrei-me! Basta, ou dai-me paciência! Solness, voa para a montanha, meu amigo Começa a construir uma torre bem alta, bem alta Que misericórdia sem termo vinha se abatendo sobre mim! E acima de tudo me abençoava o anjo do amor sonhado Meu desejo era bom e meu amor fiel Versos que outrora fiz vinham-me sorrir à boca Oh, doçura!

    197784870 Lista de Partituras Gospel Atualizada1

    E vi surgirem as luzes brancas da cidade Que me chamavam; e fui Cheguei feliz Abri a porta Se eu lhe perguntar: Meu anjo, quer ir à Europa? Se eu lhe perguntar: Meu anjo, quer casar comigo? É doce! É boba, ela! E do pobre ser que Deus lhe deu, eu, filho pródigo, poeta cheio de erros Ela fez um eterno perdido És branca, muito branca E eu sou quase eterno para o teu carinho.

    É estranho Sinto que ainda estou longe de tudo Que talvez fosse cantar um blues Yes! No fundo o que eu quero é que ninguém me entenda Para eu poder te amar tragicamente! Alguém que me beijasse e me fizesse estacar No meu caminho — alguém! Revesti-me de paz? E no entanto, se eu tivesse ouvido em meu silêncio uma voz De dor, uma simples voz de dor Gritarei a Deus? Aos homens? A treva amarga o vento.

    Do céu se desprende a face maravilhosa de Canópus Para o muito fundo da noite Seu olhar que rouba às estrelas belezas recônditas Debruça-se às vezes sobre a borda negra dos penhascos E seu ouvido agudo escuta longamente em transe As gargalhadas cínicas dos vampiros e dos duendes. E se acontece encontrar em seu fatal caminho Essas imprudentes meninas que costumam perder-se nos bosques Ele as apaixona de amor e as leva e as sevicia E as lança depois ao veneno das víboras ferozes. Seu nome é terrível.

    Se ele o grita silenciosamente Deus se perde de horror e se destrói no céu. Porta fechada ao mal Loucura do bem, desespero, criador de anjos!

    Tende piedade dos sapateiros e caixeiros de sapataria Que lembram madalenas arrependidas pedindo piedade pelos sapatos Mas lembrai-vos também dos que se calçam de novo Nada pior que um sapato apertado, Senhor Deus. E no longo capítulo das mulheres, Senhor, tende piedade das mulheres Castigai minha alma, mas tende piedade das mulheres Enlouquecei meu espírito, mas tende piedade das mulheres Ulcerai minha carne, mas tende piedade das mulheres! Tende piedade das mulheres chamadas desquitadas Porque nelas se refaz misteriosamente a virgindade Mas tende piedade também das mulheres casadas Que se sacrificam e se simplificam a troco de nada.

    Tende piedade, Senhor, de todas as mulheres Que ninguém mais merece tanto amor e amizade Que ninguém mais deseja tanto poesia e sinceridade Que ninguém mais precisa tanto de alegria e serenidade. Tende piedade, Senhor, das santas mulheres Dos meninos velhos, dos homens humilhados — sede enfim Piedoso com todos, que tudo merece piedade E se piedade vos sobrar, Senhor, tende piedade de mim!

    Pouco importa que tenha passado, e agora Eu te possa ver subindo e descendo os frios vales Ou nunca mais irei, eu Que muita vez neles me perdi para afrontar o medo da treva Existo também; de algum lugar Uma mulher me vê viver; de noite, às vezes Escuto vozes ermas Que me chamam para o silêncio. Sofro O horror dos espaços O pânico do infinito O tédio das beatitudes. Sou muito delicado.

    Morro de delicadeza.

    Você leu isso? BAIXAR JOGOS PARA CXBX

    Tudo me merece um olhar. Trago Nos dedos um constante afago para afagar; na boca Um constante beijo para beijar; meus olhos Acarinham sem ver; minha barba é delicada na pele das mulheres. Mato com delicadeza. Faço chorar delicadamente E me deleito. Até hoje só bati numa mulher Mas com singular delicadeza. Preciso ser delicado Porque dentro de mim mora um ser feroz e fratricida Como um lobo. Ah, meu amigo Quisera poder dizer-te tudo; no entanto Preciso desprender-me de toda lembrança; de algum lugar Uma mulher me vê viver, que me chama; devo Segui-Ia, porque tal é o meu destino.

    Ó imortal landscape no anticlímax da aurora! Darling, darkling I listen Dost thou remember, dark love Made in London, celua, celua nostra Mais linda que mare nostrum?

    Fear love Só Deus me escuta andar I had to post-pone All my souvenirs! Eu olharia risonho A Rosa-dos-Ventos. Quoth the driver: — Right you are, sir. Encantados roofs, multicolores, briques, bridges, brumas Da aurora em Chelsea! Encantados roofs, noble pavements, cheerful pubs, delicatessen Crumpets, a glass of bitter, cap and gown Nothing is lost, I'll come again, next week, I promise thee Be still, don't cry Ó telhados de Chelsea, amanhecei!

    A desesperada Do amor fratricida Dos homens, ai! Sairei de casa à tarde Na hora crepuscular Em minha rua deserta Nem uma janela aberta Ninguém para me espiar De vivo verei apenas Duas mulheres serenas Me acenando devagar. Aos mergulhares do bando Afloram perspectivas Redondas, se aglutinando Volitivas. Subamos acima Subamos além, subamos Acima do além, subamos! Com a posse física dos braços Inelutavelmente galgaremos O grande mar de estrelas Através de milênios de luz.

    Oh, acima Mais longe que tudo Além, mais longe que acima do além! Como no espasmo. Paisagem Subi a alta colina Para encontrar a tarde Entre os rios cativos A sombra sepultava o silêncio. Assim entrei no pensamento Da morte minha amiga Ao pé da grande montanha Do outro lado do poente. Tem um poder de sossego. Balança, rede, balança Que tarde que a tarde cai!

    Poeta, diz teu anseio Que o santo te satisfaz: Queria fazer mais um filho Queria tanto ser pai! Voam cardumes de aves No cristal rosa do ar. Vontade de ser levado Pelas correntes do mar Para um grande mar de sangue! Milagre de primavera intacta No sepulcro de neve Rosa aberta ao vento, breve Muito breve Se ouvires o sino do farol das Feiticeiras, volta, pescador!

    OLHAR SION MUSICA TEU BAIXAR BANDA

    Se ouvires o choro da suicida da usina, volta, pescador! Traz uma tainha gorda para Maria Mulata Vai com Deus! Pescador, tu és homem, hem, pescador? Ficou dormindo? Ah, que tu és poderoso, pescador! É verdade que viste alma na ponta da Amendoeira E que ela atravessou a praça e entrou nas obras da igreja velha? Tu vês no escuro, pescador, tu sabes o nome dos ventos? Por que ficas tanto tempo olhando no céu sem lua?

    Que os peitos dela parecem ondas sem espuma? Que o ventre parece a areia mole do fundo? Que o sexo parece a concha marinha entreaberta pescador? Esquece a minha voz, pescador, que eu nunca fui inocente! És tu que acendes teu cigarro de palha no isqueiro de corda Ou é a luz da bóia boiando na entrada do recife, pescador? Meu desejo era apenas ser segundo no leme da tua canoa Trazer peixe fresco e manga-rosa da Ilha Verde, pescador!

    Ah, pescador, que milagre maior que a tua pescaria! Toma castanha de caju torrada, toma aguardente de cana Que sonho de matar peixe te rouba assim a fome, pescador? Deus te leve, Deus te leve perdido por essa vida Ah, pescador, tu pescas a morte, pescador Mas toma cuidado que de tanto pescares a morte Um dia a morte também te pesca, pescador!

    Tens um branco de luz nos teus cabelos, pescador: É a aurora? Sinto que vagais Ao lado de alguém Pela eternidade. Soneto de despedida Uma lua no céu apareceu Cheia e branca; foi quando, emocionada A mulher a meu lado estremeceu E se entregou sem que eu dissesse nada. Larguei-as pela jovem madrugada Ambas cheias e brancas e sem véu Perdida uma, a outra abandonada Uma nua na terra, outra no céu.

    Rio de Janeiro, O apelo Que te vale, minha alma, essa paisagem fria Essa terra onde parecem repousar virgens distantes?

    LISTA ATUALIZADA PARTITURAS GOSPEL ANDRÉ VALADÃO

    Que te importa essa calma, essa tarde caindo sem vozes Esse ar onde as nuvens se esquecem como adeuses? Ah, chegar! Trata-se de um velho costume Com o fim de exacerbar o remorso Dos criminosos que andem a monte fugindo ao castigo Nas terras do Geraz.

    Hoje me libertei, povo oprimido E por ti viverei meu ódio forte Nesse misterioso amor perdido. Levai vossos cantos Às ondas do mar E saudai as aves Que vêm de arribar Em bandos, em bandos Sozinhas, do além Oh, aves! Ter paz… tenho tudo De bom e de bem Quem foi que entrou no meu reino E em meu ouro remexeu? Quem foi que pulou meu muro E minhas rosas colheu? Quem foi, perguntou o Celo E a Flauta falou: Fui eu. Mas quem foi, a Flauta disse Que no meu quarto surgiu?

    Quem foi que me deu um beijo E em minha cama dormiu? Quem foi que me fez perdida E que me desiludiu? Quem foi, perguntou a Flauta E o velho Celo sorriu. Mar Na melancolia de teus olhos Eu sinto a noite se inclinar E ouço as cantigas antigas Do mar. E anseio em teu misterioso seio Na atonia das ondas redondas. Na sombra que ali se inclina Do rochedo em miramar Eu soube te amar, menina Na praia do Vidigal Meus olhos baços de brumas Junto aos teus olhos de alga Viam-te envolta de espumas Como a menina afogada.

    E que doçura entregar-me Àquela mole de peixes Cegando-te o olhar vazio Com meu cardume de beijos! Muito lutamos, menina Naquele pego selvagem Entre areias assassinas Junto ao rochedo da margem.

    No verde lençol da areia Um marco ficou cravado Moldando a forma de um corpo No meio da cruz de uns braços. Tu és a estrela Sem nome, és a morada, és a cantiga Do amor, és luz, és lírio, namorada! És linda, és alta! Teu passo arrasta a doce poesia Do amor!

    Dona do meu amor! Por que me arrastas? Por que me fascinas? Por que me ensinas a morrer? A um passarinho Para que vieste Na minha janela Meter o nariz? Deixa-te de histórias Some-te daqui! Alguém que me espia do fundo da noite Mulher que me ama, perdida na noite? Me chama. Alguém que me espia do fundo da noite És tu, Poesia, velando na noite? Me quer. Alguém que me espia do fundo da noite Também chega a morte dos ermos da noite… Quem é?

    De nada chego a lembrar Sinto meu corpo pesar Como se fosse de chumbo. Enorme, a tampa fechada Roça-me quase a cabeça. Se eu conseguisse fincar Os joelhos nessa tampa E os sete palmos de terra Do fundo à campa rasgar! Oxford, Soneto de véspera Quando chegares e eu te vir chorando De tanto te esperar, que te direi? Como ocultar a sombra em mim suspensa Pelo martírio da memória imensa Que a distância criou — fria de vida Imagem tua que eu compus serena Atenta ao meu apelo e à minha pena E que quisera nunca mais perdida Oxford, Balada do mangue Pobres flores gonocócicas Que à noite despetalais As vossas pétalas tóxicas!

    No entanto crispais sorrisos Em vossas jaulas acesas Mostrando o rubro das presas Falando coisas do amor E às vezes cantais uivando Como cadelas à lua Que em vossa rua sem nome Rola perdida no céu Mas que brilho mau de estrela Em vossos olhos lilases Percebo quando, falazes, Fazeis rapazes entrar!

    E o contraponto de vozes Com que ampliais o mistério Como é semelhante às luzes Votivas de um cemitério Esculpido de memórias!

    Louras mulatas francesas Vestidas de carnaval: Viveis a festa das flores Pelo convés dessas ruas Ancoradas no canal? Por que vos deixais imóveis Alérgicas sensitivas Nos jardins desse hospital Etílico e heliotrópico?

    Vira-te tudo, amigo! Era minha namorada Primeiro nome de amada Primeiro chamar de filha Grande filha de uma vaca! Aquela noite entre todas Que cica os cajus! Como era quieto o sossego Cheirando a jasmim-do-cabo! Lembro que nem se mexia O luar esverdeado Lembro que longe, nos Ionges Um gramofone tocava Lembro dos seus anos vinte Junto aos meus quinze deitados Sob a luz verde da lua. Toquei-lhe a dura pevide Entre o pêlo que a guardava Beijando-lhe a coxa fria Com gosto de cana brava.

    Era uma dança morena Era uma dança mulata Era o cheiro de amarugem Era a lua cor de prata Mas foi só naquela noite! Passava dando risada Carregando os peitos loucos Quem sabe para quem, quem sabe? Mas como me desbragava Na areia mole e macia! Oh rosa que escarlate: No mesmo jardim! Por que ruflaste as tremulantes asas Alma do céu? Dança, Deus! Minha Minha Minha Minha luz ficou aberta cama ficou feita alma ficou deserta carne insatisfeita.

    Concha e cavalo-marinho. O mar vos deu em corola O céu vos imantou Mas a luz refez o equilíbrio. II Na verde espessura Do fundo do mar Nasce a arquitetura. III Azul Uma pedra a Pedro Nava! Meu sexo — a moça jogada Entreabria-se nua — É o sangue da madrugada Na triste noite sem lua.

    Minha pele é viva e quente Lança o teu raio mais frio Sobre o meu corpo inocente Sente o teu como é vazio. III A sombra decapitada Caiu fria sobre o mar Quem foi a voz que chamou? Nas vagas boiavam virgens Desfiguradas de horror De repente, no céu ermo A lua se consumou Oh lua em busca do amante!

    E o sopro da ventania Vinha e desaparecia. A voz amada chamou! Oxford, Bicicletai, meninada Aos ventos do Arpoador Solta a flâmula agitada Das cabeleiras em flor Uma correndo à gandaia Outra com jeito de séria Mostrando as pernas sem saia Feitas da mesma matéria.

    A vós o canto que inflama Os meus trint'anos, meninas Velozes massas em chama Explodindo em vitaminas. Na navalha dos mariscos Teus pés corriam ariscos Valente menina! Tinhas uns peitinhos duros E teus beicinhos escuros Flauteavam valsas Valsas ilhoas!

    Deixavas-me dessa luta Uma adstringência de fruta De suor, de alga Mas sempre te libertavas Com doidas dentadas bravas Menina fidalga! Hoje a noite é jovem; da morte, apenas Nascemos, imensamente. A vós vos tiraram a casa A vós vos tiraram o nome Fostes marcados a brasa Depois voz mataram de fome!

    Em campos de paina Pretendo reptar-vos E em seguida dar-vos Muita, muita faina Guerra sem quartel E tréguas só se Pedires mercê Com os olhos no céu. Entre as esferas nitentes Tremeluzem pêlos fulvos O poeta, de olhar dormente Entreabre o pente da lua. O orgasmo desce do espaço Desfeito em estrelas e nuvens Nos ventos do mar perspassa Um salso cheiro de lua E a lua, no êxtase, cresce Se dilata e alteia e estua O poeta se deixa em prece Ante a beleza da lua.

    Depois a lua adormece E míngua e se apazigua Te encontrarei nas brancas praias, pelas pudendas brancas praias Itinerante de gandaias Te encontrarei. Te encontrarei nas feiras-livres Entre moringas e vassouras, emolduradas de cenouras Te encontrarei. Te encontrarei tarde na rua De rosto triste como a lua, passando longe como a lua Te encontrarei. Te encontrarei, te encontrarei Nos longos footings suburbanos, tecendo os sonhos mais humanos Capaz de todos os enganos Te encontrarei.

    Te encontrarei nos cais noturnos Junto a marítimos soturnos, sombras de becos taciturnos Te encontrarei. Te encontrarei, oh mariposa Oh taxi-girl, oh virginete pregada aos homens a alfinete De corpo saxe e clarinete Te encontrarei. A branca no branco Dos olhos do preto O preto no banco A branca no preto Negror absoluto Sobre um mar de leite.

    A onda se alteia Na verde laguna A branca se enfuna Se afunda na areia O colo é uma duna Que o sol incendeia. O preto no branco Da espuma da onda A branca de flanco Brancura redonda O preto no banco A gaivota ronda. A minha ausência. É também um sortilégio Do seu amor por mim. Vivo do desejo de revê-Ia Num mundo em paz. Digam-lhe que é esse O meu martírio; que às vezes Pesa-me sobre a cabeça o tampo da eternidade e as poderosas Forças da tragédia abastecem-se sobre mim, e me impelem para a treva Mas que eu devo resistir, que é preciso Oh, peçam a ela Que me perdoe, ao seu triste e inconstante amigo A quem foi dado se perder de amor pelo seu semelhante A quem foi dado se perder de amor por uma pequena casa Por um jardim de frente, por uma menininha de vermelho A quem foi dado se perder de amor pelo direito De todos terem um pequena casa, um jardim de frente E uma menininha de vermelho; e se perdendo Ser-lhe doce perder-se O tempo nos parques cisma no olhar cego dos lagos Dorme nas furnas, isola-se nos quiosques Oculta-se no torso muscular dos fícus, o tempo nos parques.

    O tempo nos parques envolve de redomas invisíveis Os que se amam; eterniza os anseios, petrifica Os gestos, anestesia os sonhos, o tempo nos parques. Me acordam numa carícia O que foi que aconteceu? Ao se levantar, o poeta sente incorporar-se a ele o amigo morto. A necessidade de falar com o amigo denominador-comum, e o eco de Manuel Bandeira. Goza a delícica de ver Em seus menores resquícios. Seus olhos refletem assombro. Depois me fala: Vinicius Que ma-ra-vilha é viver!

    Essa cara me comove De beatitude tamanha. Tirante isso, vai tudo bem No Vermelhinho. Digam-lhe que o tédio às vezes é mortal; respira-se com a mais extrema Dificuldade; bate-se, e ninguém responde. Digam-lhe que o mar no Leblon Porquanto se encontre eventualmente cocô boiando, devido aos despejos Continua a lavar todos os males. Digam-lhe que escrevi uma carta terna Contra os escritores mineiros: ele ia gostar. Digam-lhe Que outro dia vi Elza-Simpatia-é-quase-Amor. Foi para os Estados Unidos E riu muito de eu lhe dizer que ela ia fazer falta à paisagem carioca Seu riso me deu vontade de beber: a tarde Ficou tensa e luminosa.

    Digam-lhe que o Carlos Drummond tem escrito ótimos poemas, mas eu larguei o Suplemento. Oh Digam a meu amigo Rubem Braga Que às vezes me sinto calhorda mas reajo, tenho tido meus maus momentos Mas reajo. Digam-lhe que continuo aquele modesto lutador Porém batata. Que estou perfeitamente esclarecido E é bem capaz de nos revermos na Europa.

    Clarice Lispector certa vez o definiu como "o inventor da crônica", gênero no qual ele foi um mestre absoluto. Seu primeiro livro, O Conde e o Passarinho, foi publicado em Sentada em frente à janela Nua, morta, deslumbrada Uma moça mira o mar.

    Silêncio de uma sala: e flores murchas. Da órbita cega os olhos dolorosos Fogem, moles, se arrastam como lesmas Empós a doce, inexistente marca Do vômito, da queda, da mijada.

    E que a cadeira de balanço fique Na sala, agora viva, balançando O balanço final do filho morto. Dizer que vós, bem-amadas Conservai-vos impolutas Mesmo fazendo a juntada De processos e minutas! Curvai-vos para colossos Hollerith, de aço hostil Como se fora ante moços Numa pavana gentil.

    Ó Florences Nightingale De arquivos horizontais: Com que zelo alimentais Esses eunucos letais Que se abrem com chave yale! Vossa linda juventude Clama de vós, bem-amadas! Ah, saber que em vós existe O amor, a ternura, a prece E saber que isso fenece Num arquivo feio e triste!

    Deixai-me carpir, crianças A vossa imensa desdita Prendestes as esperanças Numa gaiola maldita. Do fundo do meu silêncio Eu vos incito a lutardes Contra o Prefixo que vence Os anjos acorrentados E ir passear pelas tardes De braço com os namorados. Deusa, valsa carioca. Pomba atônita da paz! Nunca mais, oh bomba atômica Nunca, em tempo algum, jamais Seja preciso que mates Onde houve morte demais: Fique apenas tua imagem Aterradora miragem Sobre as grandes catedrais: Guarda de uma nova era Arcanjo insigne da paz!

    III Bomba atômica, eu te amo! Oh energia, eu te amo, igual à massa Pelo quadrado da velocidade Da luz! Meu amor, desce do espaço Vem dormir, vem dormir no meu regaço Para te proteger eu me encouraço De canções e de estrofes magistrais! Para te defender, levanto o braço Paro as radiações espaciais Uno-me aos líderes e aos bardos, uno-me Ao povo, ao mar e ao céu brado o teu nome Para te defender, matéria dura Que és mais linda, mais límpida e mais pura Que a estrela matutina!

    Anjo meu, fora preciso Matar, com tua graça e teu sorriso Para vencer? Tua enérgica poesia Fora preciso, oh deslembrada e fria Para a paz? Diz que mesmo sucedeu E a dona protagonista Se quiser pode ser vista No hospício mais relativo Ao sítio onde isso se deu. Se achar que é mentira minha Olhe só para essa pele Feito pele de galinha Dou início: foi nos faustos Da borracha do Amazonas. Somente com o sol-das-almas O Inglês à casa voltava. Que coisa engraçada: espia Como só de pensar nisso Meu cabelo se arrepia A janta posta, Lunalva Até o cerne da noite Em pé na porta esperou.

    Uma eu lhe digo, Tatiana: A lua tinha enloucado Nesse dia da semana Às vezes, dos igapós Subia o berro animal De algum jacaré feroz Praticando o amor carnal Depois caía o silêncio Na porta em luzcancarada Só Lunalva lunalvada. Que é esse estranho ruído? Que é esse escuro rumor? Na treva sonda Lunalva Graças, meu Pai! Graças mil! Aquele vulto Muito Lunalva se riu Vendo a mesa por tirar. Indo se mirar ao espelho Lunalva mal pôde andar De fraqueza no joelho.

    E que olhos pisados tinha! À porta Lunalva voa A tempo de ver chegando Um bando de montarias E uns cabras dentro remando Tudo isso acompanhando A lancha a vapor do Bill Com um corpo estirado à proa.

    Por favor me diga, mestre O que foi que aconteceu? Quando foi? Diz — que ninguém esqueceu A gargalhada de louca Que a pobre Lunalva deu. O filho que ela pariu Diz-que, Tatiana, diz-que era A cara escrita do Bill: A cara escrita e escarrada Diz-que até hoje se escuta O riso da louca insana No hospício, de madrugada.

    É o que lhe digo, Tatiana É que apesar de sombria Prefiro essa grande louca À Aurora, que além de pouca É fria, meu Deus, é fria! A gigantesca espada de ouro A faiscar simetria, ei-lo que monta guarda A Heavens, Incorporations. Sun até a ilha de Manhattan. E o silêncio se deixa assim, profundamente New York acorda para a noite. New York entrega-se. Cai o câmbio da tarde.

    O Sublime Arquiteto Satisfeito, do céu admira sua obra. A maquete genial reflete em cada vidro O olho meigo de Deus a dardejar ternuras. Como é bela New York! Aço e concreto armado A erguer sempre mais alto eternas estruturas! Deus sorri complacente. New York é muito bela! Mas Deus, que mudou muito, desde que enriqueceu Liga a chave que acende a Broadway e apaga o céu Pois às constelações que no espaço esparziu Prefere hoje os ersätze sobre La Guardia Field.

    SION BANDA OLHAR MUSICA BAIXAR TEU

    Um rio nasceu. Los Angeles, A morte de madrugada Muerto cayó Federico. Era uma terra estrangeira Que me recordava algo Com sua argila cor de sangue E seu ar desesperado. Lembro que havia uma estrela Morrendo no céu vazio De uma outra coisa me lembro Un horizonte de perros Ladra muy lejos del río De repente reconheço: Eram campos de Granada! Só sei da nuvem de pó Caminhando sobre a estrada E um duro passo de marcha Que em meu sentido avançava.

    Diante de um velho muro O tenente gritou: Alto! Era ele, era Federico O poeta meu muito amado A um muro de pedra seca Colado, como um fantasma. Chamei-o: Garcia Lorca! Mas que me via, me via Porque em seus olhos havia Uma luz mal-disfarçada. Com o peito de dor rompido Me quedei, paralisado Enquanto os soldados miram A cabeça delicada. Assim vi a Federico Entre dois canos de arma A fitar-me estranhamente Como querendo falar-me.

    Hoje sei que teve medo Diante do inesperado E foi maior seu martírio Do que a tortura da carne. Rebanho de risos Que tingem o poente Da cor impudente Das coisas contadas Entre tanto riso! Cuidado, meninas! Banho de mar Diz que é um porrete Resultado: filho. Depois foi só. Depois veio a poesia ensimesmada Em espelhos. Sofreu de fazer dó Viu a face do Cristo ensangüentada Da sua, imagem — e orou.

    É Pedro, meu filho Sêmen feito carne Minha criatura Minha poesia. Quem sabe Mas nunca como antes Nunca! Só meu ventre Te espera, cheio de raízes e de sombras. Vem mergulhar em mim Como no mar, vem nadar em mim como no mar Vem te afogar em mim, amiga minha Em mim como no mar Tu foste a imagem Em movimento.

    Spasibo, tovarishch.

    Take 45 by Take Cinema Magazine - Issuu

    Cada Imagem só existe interligada À que a antecedeu e à que a sucede. Muito bem, Eisenstein. Muito obrigado. Los Angeles, Sergei M. Em , o cinema conheceu o célebre O encouraçado Potemkin, cujo sucesso projetou internacionalmente o nome de Eisenstein.

    Embora tenha sido um colaborador fiel do regime soviético, foi perseguido pela ditadura stalinista desde voltou de tais excursões. Vontade de mudar as cores do vestido auriverde! O crocodilo espreita a garça Sim, mas por fome, e se restringe Mas e o filho, que à pobre ave Acompanha no Y do estilingue? O crocodilo tem um sestro De cio: guia-se pelo olfato Mas o filho pratica o incesto Absolutamente ipso-facto.

    O filho é um monstro. Te ajudarei cavalheiro com o abrigo de chinchila Na saída constatarei tuas nylon 57 Ao andares, algo em ti range em dó sustenido Pelo andar em que vais sei que queres dançar rumba. Depois pergunto se queres ir ao meu apartamento Me matas a pergunta com um beijo apaixonado Dou um soco na perna e aperto o acelerador Finges-te de assustada e falas que dirijo bem.

    Que é daquele perfume que eu te tinha prometido? Balbucio uma desculpa e digo que estava pensando… Falas que eu pense menos e me fazes um agrado Me pedes um cigarro e riscas o fósforo com a unha E eu fico boquiaberto diante de tanta habilidade.

    Depois arrependido choro sobre o teu corpo E te enterro numa vala, minha pobre namorada Havia elfos alados nos gelados Raios de sol da sala quando entrei. Sentada na cadeira de balanço Resplendente, uma fada balançava-se Numa poça de luz. Minha chegada Gigantesca assustou os gnomos mínimos Que vertiginosamente se escoaram Pelas frinchas dos rodapés.

    Bebi Sofregamente um grande copo de ar E recitei o meu epitalâmio. Num segundo Pensei ver o meu próprio nascimento Mas fugi, tive medo. Infelizmente acrescentei em quilos E logo me cansei; mas as asinhas Nos calcanhares eram bimotores A querer arrancar. Mandava-me missivas Cifradas que eu, terrível flibusteiro Escondia no muro de uma casa Esqueci de que casa A infância!

    Sombra, és tu? Até tu, Sombra Sombra, contralto, entre os paralelepípedos Do coradouro do quintal. Oh, tu Que me violaste, negra, sobre o linho Muito obrigado, tenebroso Arcanjo De ti me lembrarei! Alguém me chama, é a gaivota Branca, é Marina!

    Marina, como vais, jovem Marina Deslembrada Marina Pela mulher, sim, Vândala, obrigado Confesso, dispensava a cítara Ia beber desesperado. Mas Foi contigo, Suave, que o poeta Apreendeu o sentido da humildade. Telefonava: Vamos?

    Inda virias. Tinhas Um riso triste. Quanta melancolia! Clélia, adeus minha Clélia, adeus! Vou partir, pobre Clélia, navegar No verde mar Quem és, responde! És tu a mesma em todas renovada? Sou Eu! Tua graça caminha pela casa Moves-te blindada em abstrações, como um T.

    Trazes A cabeça enterrada nos ombros qual escura Rosa sem haste. A cadeira é cadeira e o quadro é quadro Porque te participam. As folhas te outonam, a grama te Quer. És vegetal, amiga Vazia a casa Raios, no entanto, desse olhar sobejo Oblíquos cristalizam tua ausência.

    A noite o fez negro Fogo o avermelhou A aurora nascente Todo o amarelou. O dia o fez branco Branco como a luz À falta de um nome Chamou-se Jesus. Jesus pequenino Filho natural Ergue-te, menino É triste o Natal.

    A oeste a morte Contra quem vivo Do sul cativo O este é meu norte. Era de madrugada.

    No escuro de minha casa em Los Angeles procurei recompor tua lembrança Depois de tanta ausência. Vi-me eu menino Correndo ao teu encontro. O bondinho Rangia nos trilhos a muitas praias de distância Dizíamos: "E-vem meu pai!

    Dize-me, meu pai Que viste tantos anos através do teu óculo-de-alcance Que nunca revelaste a ninguém? Eras penca de filho. Jamais Uma palavra dura, um rosnar paterno. Entravas a casa humilde A um gesto do mar. A noite se fechava Sobre o grupo familial como uma grande porta espessa. Deixavas-te olhando o mar Com mirada de argonauta.

    Teus pequenos olhos feios Buscavam ilhas, outras ilhas Querias um dia aportar E trazer — depositar aos pés da amada as jóias fulgurantes Do teu amor. Sim, foste descobridor, e entre eles Dos mais provectos. Muitas vezes te vi, comandante Comandar, batido de ventos, perdido na fosforescência De vastos e noturnos oceanos Sem jamais.

    A mim me deste A suprema pobreza: o dom da poesia, e a capacidade de amar Em silêncio. Foste um pobre. Mendigavas nosso amor Em silêncio. Foste um no lado esquerdo. Mas Teu amor inventou. Doze luas voltaste. És pai do menino que eu fui. Teu olhar Vinha de longe, das cavernas imensas do teu amor, aflito Como a querer defender. Vias-me e sossegavas. Pouco nos dizíamos: "Como vai? Dormes, ou te deixas A contemplar acima — eu bem me lembro! Ah, dor! Como quisera escutar-te de novo cantar criando em mim A atonia do passado!

    Quantas baladas, meu pai E que lindas! Quem te ensinou as doces cantigas Com que embalavas meu dormir? Prosseguem as donzelas em êxtase na noite à espera da barquinha Que busca o seu adeus? Calaste-te, meu pai. É coisa simples a morte. Dói, depois sossega. És para mim aquele de quem muitos diziam: "É um poeta…" Poeta foste, e és, meu pai.

    A mim me deste O primeiro verso à namorada. E depois, muitas vezes Vi-te na rua, sem que me notasses, transeunte Com um ar sempre mais ansioso do que a vida. Hoje cresceu Em membros, palavras e dentes. Diz de ti, bilíngüe: "Vovô was always teasing me…" É meu filho, teu neto. Deste-lhe, em tua digna humildade Um caminho: o meu caminho. Às bordas da piscina A velhice engruvinhada morcega em posições fetais Enquanto a infância incendida atira-se contra o azul Estilhaçando gotas luminosas e libertando rictos De faces mumificadas em sofrimentos e lembranças.

    A Paralisia Infantil, a quem foi poupada um rosto talvez belo Inveja, de seu líquido nicho, a Asma tensa e esquelética Mas que conseguiu despertar o interesse do Reumatismo Deformante.